O hemograma é um dos exames laboratoriais mais comuns e essenciais para a avaliação clínica, fornecendo informações cruciais sobre os diferentes componentes do sangue. No entanto, o processo de coleta, transporte e processamento das amostras é extremamente sensível a diversos fatores, como o tempo de exposição ao EDTA.
Dentre esses fatores, o tempo de exposição do sangue ao anticoagulante EDTA (ácido etilenodiaminotetracético) é, sem dúvida, uma das situações que mais determinam a qualidade dos resultados do hemograma, principalmente quando realizam o esfregaço sanguíneo após muitas horas de coleta.

Imagem: tubo de sangue contendo EDTA
O Papel do EDTA no Hemograma
O EDTA é um anticoagulante amplamente utilizado em laboratórios clínicos para evitar a coagulação do sangue nas amostras, garantindo que os elementos celulares mantenham sua forma original durante a análise. No entanto, a permanência prolongada da amostra em contato com o EDTA pode ter efeitos adversos significativos sobre a morfologia das células sanguíneas e, consequentemente, nos resultados do hemograma.
Tempo Ideal de Exposição ao EDTA para o Hemograma
A recomendação clínica é processar as amostras de sangue, quando coletadas em tubos com EDTA, o mais rápido possível, idealmente dentro de 1 a 3 horas após a coleta, sempre que possível.
Esse período de tempo reduz as alterações causadas pelo EDTA, como a distorção das células e alterações no volume celular. Porém, quando mantêm a amostra por um período mais longo, as células sanguíneas começam a sofrer modificações devido à interação contínua com o anticoagulante.
Alterações no Hemograma devido à Exposição Prolongada
Mudanças na Morfologia das Hemácias
O prolongado contato com o EDTA pode causar a esferocitose artefactual, caracterizando-se pela transformação das hemácias de disco bicôncavo para formas mais arredondadas. Consequentemente, esse tipo de alteração pode levar à confusão com anemia esferocítica hereditária. Além disso, a hemólise induzida pelo anticoagulante pode resultar em hemácias fragmentadas, conhecidas como esquizócitos, o que interfere diretamente na contagem e na análise morfológica.
Alterações nas Plaquetas
As plaquetas também podem sofrer agregação ou alteração na sua morfologia devido ao tempo de exposição ao EDTA. Isso pode levar a uma contagem de plaquetas falsa baixa, uma vez que a agregação das plaquetas pode ser interpretada como uma diminuição do número real dessas células no sangue.
Monócitos e Eosinófilos
Além disso, as alterações morfológicas nos monócitos, como irregularidades no núcleo, podem confundir os examinadores, fazendo com que confundam as células com células neoplásicas e displasia em exames mais detalhados. A exposição prolongada também pode causar a liberação excessiva de grânulos eosinofílicos nos eosinófilos, o que dificulta a distinção clara entre essas células e outras linhagens.
Neutrófilos
Por serem células mais frágeis e com sobrevida naturalmente menor, os neutrófilos geralmente sofrem uma diminuição drástica de seu número, gerando leucopenia e neutropenia artefactual. Muitas vezes, visualizam-se restos celulares, notadamente provenientes de neutrófilos.
Alterações em Células Normais com Características de Blastos
Outro efeito relevante da exposição prolongada ao EDTA é a modificação da cromatina nas células normais, que, com o tempo, pode se tornar mais frouxa e de aparência mais desorganizada. Além disso, apresentaEssa mudança é especialmente perigosa, pois pode levar à interpretação errônea da presença de células neoplásicas, resultando em um diagnóstico incorreto
Conclusão
O tempo de exposição do sangue ao EDTA é um fator crítico e, portanto, pode comprometer seriamente a qualidade do hemograma e a interpretação dos resultados laboratoriais Além disso, o atraso no processamento das amostras pode resultar em distorções morfológicas, o que dificulta o diagnóstico preciso e compromete a confiabilidade dos dados.
Portanto, para garantir a precisão dos resultados, é fundamental que as amostras sejam analisadas dentro de um intervalo de tempo adequado, preferencialmente nas primeiras 3 horas após a coleta, evitando a exposição prolongada ao anticoagulante e realizando o esfregaço sanguíneo o mais rápido possível.
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Referências:
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