Síndrome de Sézary

A síndrome de Sézary (SS) é um linfoma cutâneo eritrodérmico de células T maduras, caracterizado pela presença de linfócitos T CD4+ neoplásicos com componente leucêmico. Trata-se de uma forma agressiva de linfoma cutâneo, associada à eritrodermia generalizada, linfadenopatia e circulação de células neoplásicas no sangue periférico, denominadas células de Sézary.

Nesse contexto, a atuação do laboratório é essencial, especialmente na identificação morfológica dessas células e na confirmação diagnóstica por meio da imunofenotipagem. A integração entre avaliação clínica, hematológica e citológica permite estabelecer o diagnóstico e determinar a extensão da doença.

Caso de Sézary atendido no Time Atlas.

1. Aspectos clínicos e fisiopatológicos da síndrome de Sézary

A síndrome de Sézary integra o grupo dos linfomas cutâneos de células T e apresenta características clínicas marcantes, sendo a eritrodermia generalizada um dos principais achados. A eritrodermia pode ser definida como uma erupção cutânea intensa, disseminada, pruriginosa e esfoliativa, que pode representar o surgimento de novas lesões ou a progressão de alterações cutâneas pré-existentes.

A doença origina-se da proliferação monoclonal de linfócitos T pós-tímicos, geralmente com fenótipo helper, que apresentam elevada afinidade pela pele. Embora a etiologia exata permaneça desconhecida, há evidências que sugerem a participação de fatores genéticos, ambientais e infecciosos no desenvolvimento da síndrome.

Além das manifestações cutâneas, alterações extra cutâneas são frequentes e podem incluir:

  • Linfadenopatia
  • Hepatoesplenomegalia
  • Infiltrados pulmonares ou derrame pleural
  • Comprometimento sistêmico progressivo

Assim, o prognóstico da doença está diretamente relacionado à extensão do envolvimento cutâneo, hematológico e visceral no momento do diagnóstico.


2. Características morfológicas das células de Sézary

A análise microscópica do sangue periférico desempenha papel fundamental na suspeita diagnóstica da síndrome de Sézary. As células de Sézary apresentam morfologia bastante característica, sendo descritas como linfócitos anômalos de médio a grande porte, com citoplasma abundante e basofílico.

O núcleo dessas células é altamente irregular e convoluto, frequentemente descrito como cerebriforme, devido ao seu aspecto semelhante às circunvoluções cerebrais. A cromatina nuclear encontra-se condensada, e os nucléolos geralmente não são visíveis.

Em estágios mais avançados da doença, pode ocorrer infiltração cutânea significativa, caracterizada por fenômenos como:

  • Epidermotropismo, que corresponde à infiltração da epiderme por linfócitos tumorais
  • Microabscessos de Pautrier, formados por agregados de células neoplásicas na epiderme

Portanto, a revisão microscópica cuidadosa constitui etapa essencial para a identificação dessas alterações morfológicas e para o acompanhamento evolutivo da doença.


3. Imunofenotipagem e confirmação diagnóstica

A imunofenotipagem por citometria de fluxo é uma ferramenta indispensável na confirmação diagnóstica da síndrome de Sézary, permitindo identificar o perfil imunológico das células neoplásicas e distinguir essa condição de outras doenças linfoproliferativas.

As células de Sézary apresentam tipicamente expressão de marcadores de células T maduras, como:

  • CD3 positivo
  • CD4 positivo

Além disso, observa-se frequentemente perda de expressão de alguns antígenos de células T maduras, como:

  • CD2
  • CD5
  • CD7

Essas alterações imunofenotípicas são consideradas altamente sugestivas da doença e auxiliam tanto no diagnóstico quanto no monitoramento da carga tumoral ao longo do tratamento.


Referências:

OLIVEIRA, Larissa Santana; ALCANTARA, Thiago Ruan de Lima. Atlas em hematologia: um guia visual para a identificação de células sanguíneas. 1. ed. Salvador: Oxente, 2025.

Atlas de hematologia: clínica hematológica ilustrada/ Therezinha Ferreira Lorenzi, coordenadora. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006

Miyashiro D, Souza BCE, Torrealba MP, Manfrere KCG, Sato MN, Sanches JA. O papel do microambiente tumoral na patogênese da síndrome de Sézary. 2022 PMID: 35055124

WEINSTOCK, Martin A.; HORM, John W. Micose fungoide nos Estados Unidos: incidência crescente e epidemiologia descritiva. Jama, v. 1, pág. 42-46, 1988.

KUZEL,TM; ROENIGK JR, HH; ROSEN, ST Micose fungoide e síndrome de Sézary: uma revisão da patogênese, diagnóstico e terapia. Revista de oncologia clínica, v. 9, n. 7, pág. 1298-1313, 1991.