A leucopenia é definida como contagem total de leucócitos abaixo de 4.000 células/µL (PNCQ) em adultos. Trata-se de um achado que pode variar de benigno e transitório, como ocorre em infecções virais autolimitadas, até grave e indicativo de comprometimento medular significativo. O diferencial entre essas possibilidades pode estar no número total de leucócitos, mas também na análise do diferencial leucocitário, na morfologia do esfregaço e no contexto clínico do paciente. A leucopenia que envolve mais de uma linhagem celular ou que persiste sem causa identificada exige investigação sistemática e, em muitos casos, avaliação hematológica especializada.

Definição e graus: neutropenia, linfopenia e pancitopenia
A leucopenia raramente resulta de queda proporcional em todas as linhagens. Em geral, uma população específica é predominantemente afetada, e identificar qual delas é o primeiro passo diagnóstico. A neutropenia é a forma mais comum e clinicamente mais relevante, definida como contagem absoluta de neutrófilos abaixo de 1.500 células/µL. Sua gravidade é classificada em leve, entre 1.000 e 1.500 células/µL; moderada, entre 500 e 1.000 células/µL; e grave, abaixo de 500 células/µL. Nesse último nível, o risco de infecções bacterianas e fúngicas graves aumenta de forma expressiva.

A linfopenia, com contagem absoluta de linfócitos abaixo de 1.000 células/µL em adultos, pode passar despercebida por representar apenas 20% a 40% do total de leucócitos. Entretanto, sua relevância clínica é significativa, especialmente quando associada a imunodeficiências primárias ou secundárias. A pancitopenia, com queda simultânea de hemácias, leucócitos e plaquetas, representa o cenário de maior gravidade e sugere comprometimento difuso da hematopoese.
Causas mais comuns: infecções virais, medicamentos e doenças autoimunes
As causas de leucopenia são diversas e frequentemente identificáveis a partir da história clínica. As infecções virais são as mais comuns em contexto agudo, com destaque para HIV, influenza, hepatites virais e mononucleose infecciosa. Nesses casos, a leucopenia costuma ser transitória e se resolve com a recuperação da infecção.
O uso de medicamentos é outra causa relevante. Quimioterápicos, antipsicóticos, anticonvulsivantes, antibióticos como o cotrimoxazol e anti-inflamatórios não esteroidais estão entre os grupos farmacológicos mais associados à supressão medular ou à destruição periférica de leucócitos. As doenças autoimunes, especialmente o lúpus eritematoso sistêmico e a artrite reumatoide, cursam com leucopenia por mecanismos imunomediados. Além disso, deficiências de vitamina B12 e folato geram leucopenia por comprometimento da maturação celular medular, frequentemente acompanhada de macrocitose e plaquetopenia.
Quando acionar o alerta: leucopenia com comprometimento de mais de uma série
A leucopenia isolada, sem outras citopenias e com causa reativa identificada, raramente exige investigação urgente. O cenário muda quando a queda de leucócitos se associa a anemia ou plaquetopenia, configurando bicitopenia ou pancitopenia. Nessa situação, o diagnóstico diferencial inclui anemia aplásica, Neoplasia Mielodisplásica, leucemia aguda e infiltração medular por neoplasia. Febre associada a neutropenia grave é uma emergência hematológica que exige investigação e tratamento imediato.
O esfregaço de sangue periférico é indispensável em qualquer leucopenia sem causa reativa evidente. A presença de blastos, células atípicas ou displasia morfológica orienta de forma decisiva a investigação complementar. A solicitação do mielograma é necessária quando não houver explicação reativa para a leucopenia persistente ou quando ela se acompanhar de outras citopenias.
Referências
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