A Leucemia Mielomonocítica Crônica (LMMC) é uma desordem clonal das células-tronco hematopoiéticas, caracterizada principalmente pela presença de monocitose persistente no sangue periférico. Além dessa alteração quantitativa, a doença apresenta um conjunto de sinais relacionados à displasia e à proliferação celular, evidenciando sua natureza hematológica complexa.
Nesse contexto, o laboratório clínico desempenha papel importante na identificação dos critérios diagnósticos e na diferenciação da LMMC em relação a outras neoplasias hematológicas. Dessa forma, a análise integrada dos achados hematológicos, morfológicos e imunofenotípicos torna-se essencial para a confirmação diagnóstica e para a definição do prognóstico do paciente.

Achados laboratoriais comuns no diagnóstico da LMMC
O diagnóstico da Leucemia Mielomonocítica Crônica correlaciona-se em com achados laboratoriais bem estabelecidos, que também podem permitir diferenciar essa condição de outras doenças mieloproliferativas e mielodisplásicas. Entre os principais achados, destaca-se a presença de monocitose persistente superior a 1 x 10⁹/L no sangue periférico, considerada um dos achados mais característicos da doença.
Além disso, deve ser observada a ausência do cromossomo Filadélfia ou do gene de fusão BCR/ABL (testes moleculares e citogenéticos), o que contribui para excluir outras neoplasias mieloproliferativas. Outro ponto importante é a presença de menos de 20% de blastos no sangue periférico ou na medula óssea, incluindo blastos e promonócitos.
Adicionalmente, a identificação de displasia em uma ou mais linhagens celulares reforça o diagnóstico, assim como a exclusão de rearranjos genéticos específicos, como PDGFRA ou PDGFRB, especialmente em pacientes que apresentam eosinofilia. Portanto, a aplicação criteriosa desses parâmetros laboratoriais é indispensável para a definição diagnóstica adequada.

Papel da imunofenotipagem na diferenciação diagnóstica
A imunofenotipagem por citometria de fluxo constitui ferramenta essencial para auxiliar no diagnóstico da LMMC e para diferenciar essa doença de outras neoplasias hematológicas, especialmente da leucemia mieloide aguda monocítica. Esse método permite identificar padrões específicos de expressão antigênica nas células de linhagem mielomonocítica.
Entre os principais marcadores utilizados, destacam-se os antígenos CD33 e CD13, que indicam origem mielomonocítica. Além disso, podem ser observadas expressões variáveis de CD68 e CD64, associadas à linhagem monocítica, bem como expressão diminuída de CD14.
Outro achado relevante é a expressão aberrante do marcador CD56 nas células monocíticas, característica que também pode ser observada na leucemia mieloide aguda monocítica. Entretanto, na LMMC, essa expressão aberrante pode estar associada à redução da expressão de outros marcadores mieloides, como HLA-DR, CD13, CD15, CD36 ou CD64, além da possível expressão aberrante de CD2. Assim, a avaliação imunofenotípica detalhada contribui significativamente para o diagnóstico diferencial e para a correta classificação da doença.
Aspectos prognósticos e importância do acompanhamento laboratorial
O prognóstico dos pacientes com Leucemia Mielomonocítica Crônica apresenta grande variabilidade, sendo influenciado por fatores como idade, estado geral de saúde, alterações genéticas e resposta ao tratamento inicial. Em geral, a doença apresenta comportamento clínico agressivo, o que exige monitoramento laboratorial contínuo e avaliação criteriosa da evolução hematológica.
Além disso, embora a remissão possa ser alcançada em um número significativo de pacientes submetidos a tratamento intensivo, as recidivas são relativamente frequentes. Dessa forma, o acompanhamento laboratorial periódico torna-se essencial para detectar alterações precoces e orientar ajustes terapêuticos.
Nesse cenário, a investigação de fatores genéticos e moleculares tem ganhado destaque, contribuindo para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas mais eficazes e personalizadas. Consequentemente, o laboratório desempenha papel estratégico na medicina aplicada às neoplasias hematológicas.
Referências:
SANTOS, Iris Mattos; FRANZON, Carine Muniz Ribeiro; KOGA, Adolfo Haruo. Diagnóstico laboratorial de leucemia mielomonocítica crônica agudizada em associação com leucemia linfocítica crônica: aspectos morfológicos e imunofenotípicos. Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, v. 34, p. 242-244, 2012.
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TEFFERI, Ayalew. A leucemia mielomonocítica crônica é mais semelhante às neoplasias mielodisplásicas ou mieloproliferativas e isso importa? Leucemia & linfoma , v. 49, n. 7, pág. 1225-1227, 2008.
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