Corpos de Phi: Inclusões Citoplasmáticas 

A análise morfológica dos blastos é uma etapa indispensável na rotina em hematologia. Além da identificação de alterações nucleares e citoplasmáticas, o reconhecimento de inclusões específicas pode fornecer informações importantes para a caracterização da linhagem celular. Entre esses achados destacam-se os corpos de Phi, inclusões citoplasmáticas descritas principalmente na Leucemia Mieloide Aguda (LMA), cuja identificação exige atenção durante a avaliação microscópica.

Características Morfológicas dos Corpos de Phi

Os corpos de Phi são inclusões citoplasmáticas observadas em blastos e descritas predominantemente em casos de Leucemia Mieloide Aguda. Até o momento, não são considerados uma característica da Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA), tornando sua identificação um achado morfológico sugestivo de diferenciação mieloide.

Estudos indicam que essas inclusões se originam de grânulos citoplasmáticos contendo catalase. Esse aspecto permite diferenciá-las de outras inclusões presentes nos blastos, especialmente dos bastonetes de Auer, que resultam da agregação de grânulos primários ricos em mieloperoxidase.

Diferenciação em Relação aos Bastonetes de Auer

Embora ambas sejam inclusões citoplasmáticas observadas em blastos da linhagem mieloide, os corpos de Phi e os bastonetes de Auer apresentam origens distintas. Enquanto os corpos de Phi estão relacionados a grânulos contendo catalase, os bastonetes de Auer correspondem à agregação de grânulos azurófilos primários ricos em mieloperoxidase.

Essa diferenciação morfológica possui relevância na rotina laboratorial, pois contribui para uma descrição microscópica mais precisa e evita interpretações equivocadas durante a avaliação do esfregaço sanguíneo ou da medula óssea.

Importância da Avaliação Integrada no Laboratório

A identificação dos corpos de Phi deve sempre ser interpretada em conjunto com os demais achados morfológicos e laboratoriais. A presença de blastos, outras alterações citológicas e os resultados do hemograma fornecem informações complementares que auxiliam na caracterização do quadro hematológico.

Por esse motivo, a avaliação integrada do esfregaço sanguíneo e dos dados laboratoriais representa uma etapa fundamental para a elaboração de uma descrição técnica consistente e para o adequado direcionamento da investigação diagnóstica.

Referências

ALCANTARA, Thiago; SANTANA, Larissa. Atlas em Hematologia. [s.l.: s.n.].

AKHTAR, S. et al. Avaliação da eficácia do DAB para corpos Phi na leucemia aguda. People , v. 15, n. 1, p. 04, 2022. 

SEHGAL, Tushar; SHARMA, Prashant. Bastonetes de Auer e células em feixe: uma revisão da história, significado e imitações de duas curiosidades morfológicas de relevância duradoura. European Journal of Haematology , v. 110, n. 1, p. 14-23, 2023.