A avaliação morfológica das células sanguíneas continua sendo uma etapa essencial na rotina dos laboratórios de hematologia. Entre as variantes celulares de relevância diagnóstica, destaca-se a célula de Mott, uma modificação do plasmócito que apresenta características morfológicas bastante peculiares.
Sua identificação ao microscópio pode fornecer informações importantes sobre a atividade imunológica do organismo e contribuir para a investigação de diferentes condições clínicas. Portanto, o conhecimento de seus aspectos estruturais e de suas associações patológicas é indispensável para os profissionais do diagnóstico laboratorial.

Características Morfológicas da Célula de Mott
A célula de Mott é considerada uma variante do plasmócito e caracteriza-se pela presença de numerosos vacúolos citoplasmáticos bem definidos. Essas estruturas contêm imunoglobulinas, predominantemente do tipo IgM, e podem apresentar tamanhos e quantidades variáveis. Consequentemente, conferem à célula um aspecto morfológico distintivo e de fácil reconhecimento.
Em relação ao tamanho, a célula de Mott é semelhante ao plasmócito, embora possa ser discretamente maior. O núcleo possui formato oval ou redondo, apresenta posição excêntrica e exibe cromatina densa, sem a presença de nucléolos. Além disso, o citoplasma possui intensa basofilia, resultado da elevada atividade de síntese proteica característica dessas células.

Acúmulo de Imunoglobulinas e Significado Biológico
Os vacúolos presentes na célula de Mott correspondem ao acúmulo de imunoglobulinas no citoplasma. Esse fenômeno está relacionado à intensa produção de anticorpos pelos plasmócitos. Dessa forma, a identificação dessa célula pode indicar uma resposta imunológica aumentada e um estado de elevada atividade secretora.
No contexto laboratorial, a observação da célula de Mott reforça a importância da análise morfológica detalhada, uma vez que alterações celulares específicas podem representar manifestações de processos fisiopatológicos relevantes. Assim, o reconhecimento correto dessa variante contribui para a interpretação adequada dos achados hematológicos.
Condições Associadas à Presença da Célula de Mott
A célula de Mott pode ser observada em processos reacionais e em diferentes infecções, refletindo uma produção intensa de imunoglobulinas. Entretanto, sua presença também está associada a doenças hematológicas de maior complexidade.
Entre as principais condições patológicas relacionadas encontram-se o mieloma múltiplo, a leucemia de células plasmáticas e a macroglobulinemia de Waldenström. Nesses cenários, a identificação da célula de Mott pode representar um importante achado complementar durante a avaliação microscópica, auxiliando na investigação diagnóstica e no direcionamento de exames adicionais.
Referências
OLIVEIRA, Larissa Santana; ALCANTARA, Thiago Ruan de Lima. Atlas em hematologia: um guia visual para a identificação de células sanguíneas. 1. ed. Salvador: Oxente, 2025.
MARTÍNEZ, Grettel León; HEREDIA, Javier Baquera; HIDALGO, Carlos Ortiz. Linfoma difuso de células grandes B, con diferenciación plasmacítica extensa y numerosas células de Mott. Informe de un caso poco frecuente y breve nota histórica. Patología Revista Latinoamericana, v. 49, n. 2, p. 151-156, 2011.