Basofilia: causas e morfologia

O basófilo é a célula menos abundante do diferencial leucocitário, representando normalmente menos de 1% do total de leucócitos. Por sua raridade, sua elevação costuma passar despercebida ou ser subestimada na interpretação do hemograma. Entretanto, a basofilia persistente, deve também levantar suspeita

Valores de referência e causas reativas de basofilia

Em termos percentuais, qualquer valor acima de 1% no diferencial já merece atenção. As causas reativas existem, e são comuns. Entre elas estão reações de hipersensibilidade, hipotireoidismo, deficiência de ferro, doença inflamatória intestinal, infecções como influenza e tuberculose, e doenças autoimunes.

Entretanto, é fundamental reconhecer que as causas reativas de basofilia são muito menos frequentes do que as reativas de neutrofilia ou eosinofilia. Portanto, diante de basofilia identificada no hemograma, a exclusão de causa reativa deve ser ativa e criteriosa, não presumida. A persistência da basofilia após a resolução de um quadro infeccioso ou inflamatório (exceto para causas crônicas) é um sinal de que o processo pode ter origem clonal.

Basofilia como marcador de neoplasia mieloide: associação com LMC e outras mieloproliferações

A associação mais clássica e clinicamente relevante da basofilia é com a leucemia mieloide crônica. Na LMC, a basofilia faz parte do padrão hematológico característico, acompanhando a leucocitose com desvio à esquerda e, frequentemente, a eosinofilia. O aumento progressivo de basófilos na LMC em tratamento pode indicar progressão para fase acelerada, sendo um parâmetro monitorado nos critérios de estadiamento da doença.

Além da LMC, a basofilia pode estar presente na policitemia vera, na trombocitemia essencial e na mielofibrose primária. Estudos publicados em 2024 demonstrou que a basofilia nesses contextos está associada a piores desfechos clínicos, incluindo maior risco de transformação para leucemia aguda. A basofilia associada a blastos circulantes é um achado de emergência, pois pode indicar leucemia aguda basofílica ou crise blástica basofílica de LMC, condições de gravidade extrema.

Como identificar e quantificar basófilos no esfregaço

O basófilo apresenta núcleo bilobulado irregular, frequentemente obscurecido por grânulos citoplasmáticos grandes, de coloração roxo-escuro a violeta intensa com coloração de Wright ou Giemsa. Esses grânulos são ricos em histamina, heparina e outros mediadores inflamatórios.

Os analisadores automatizados têm sensibilidade variável para a detecção de basofilia discreta, o que reforça a importância da confirmação microscópica sempre que o equipamento indicar elevação nessa população.

Referências

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