Morfologia Cup-Like em Blastos

A análise morfológica dos blastos permanece como uma etapa indispensável na rotina dos laboratórios de hematologia. Além de identificar sinais de imaturidade celular, a avaliação criteriosa permite reconhecer padrões morfológicos que podem fornecer informações relevantes para a investigação diagnóstica. Entre esses padrões, destaca-se a morfologia cup-like, caracterizada por uma invaginação nuclear profunda que exige atenção do observador durante a análise microscópica.

Aspectos Morfológicos da Morfologia Cup-Like

A morfologia cup-like corresponde a um padrão em que o núcleo apresenta uma invaginação profunda, adquirindo aspecto semelhante a uma taça ou a um copo. Esse padrão é considerado representativo quando a invaginação compromete aproximadamente um quarto ou mais do diâmetro nuclear, produzindo deformação evidente do contorno.

Embora seja uma alteração visualmente marcante, sua identificação depende de uma avaliação cuidadosa do núcleo. A familiaridade do profissional com esse padrão é essencial, principalmente quando a alteração está presente em pequena proporção entre os blastos avaliados.

Quantificação e Relevância na Avaliação Morfológica

A descrição da morfologia cup-like também depende da quantificação adequada dos blastos acometidos. Para esse cálculo, considera-se apenas o número total de blastos identificados na contagem diferencial, e não o total de leucócitos analisados.

Parte da literatura utiliza como referência a presença da morfologia em pelo menos 5% dos blastos, enquanto outros autores adotam o limite de 10% como um critério mais específico e reprodutível. Dessa forma, a quantificação correta desse padrão contribui para uma descrição técnica mais precisa e para a adequada correlação com os demais achados laboratoriais.

Associação com Leucemia Mieloide Aguda

A morfologia cup-like tem sido descrita predominantemente em casos de Leucemia Mieloide Aguda (LMA) com cariótipo normal, sendo frequentemente associada à mutação do gene NPM1. Em parte dos casos, também pode ocorrer associação com mutações no FLT3-ITD.

Entretanto, essa alteração morfológica não é exclusiva desses contextos. Portanto, seu reconhecimento deve ser interpretado como um achado sugestivo, que necessita de correlação com os resultados da imunofenotipagem, dos estudos moleculares e dos demais exames laboratoriais para uma caracterização diagnóstica completa.

Referências

OLIVEIRA, Larissa Santana; ALCANTARA, Thiago Ruan de Lima. Atlas em hematologia: um guia visual para a identificação de células sanguíneas. 1. ed. Salvador: Oxente, 2025.

PARK, Borae G. et al. Association of cup-like nuclei in blasts with FLT3 and NPM1 mutations in acute myeloid leukemia. Annals of hematology, v. 92, n. 4, p. 451-457, 2013. 

MCCORMICK, Stanley R. et al. FLT3 mutations at diagnosis and relapse in acute myeloid leukemia: cytogenetic and pathologic correlations, including cuplike blast morphology. Archives of pathology & laboratory medicine, v. 134, n. 8, p. 1143-1151, 2010.