A presença de plasmócitos no sangue periférico é uma condição incomum, uma vez que, em circunstâncias normais, essas células permanecem predominantemente na medula óssea e em tecidos linfóides.
Essas células, que se originam dos linfócitos B, têm como principal função a produção de anticorpos. Portanto, sua detecção no sangue periférico pode ser indicativa de diversas condições patológicas, o que torna necessária uma investigação clínica detalhada para identificar a causa subjacente.

Imagem 1. Plasmócito
Causas Clínicas da Presença de Plasmócitos no Sangue Periférico
Mieloma Múltiplo
Em princípio, o mieloma múltiplo é uma neoplasia das células plasmáticas que resulta na proliferação descontrolada de plasmócitos clonais na medula óssea. Ademais, essa condição frequentemente leva à liberação de plasmócitos para a circulação periférica e ao aumento dos níveis de proteínas monoclonais no soro, conhecidas como paraproteínas.
Quando a presença de plasmócitos no sangue periférico ocorre, geralmente é um achado em estágios avançados da doença. Além disso, é comum a associação com complicações como insuficiência renal, lesões ósseas e infecções recorrentes. Logo, é fundamental um diagnóstico precoce para o controle adequado da doença.
Discrasias Plasmocíticas
Além do mieloma múltiplo, outras condições como a gamopatia monoclonal de significado indeterminado (GMSI) e leucemia plasmocítica podem também resultar na presença de plasmócitos circulantes. A GMSI, embora usualmente assintomática, pode evoluir para mieloma múltiplo ou outras doenças hematológicas malignas.
Já a leucemia plasmocítica, uma forma rara de leucemia, é caracterizada pela proliferação de plasmócitos anormais. Assim, a diferenciação entre essas condições exige investigação detalhada, que inclui biópsia de medula óssea, eletroforese de proteínas plasmáticas e outros exames laboratoriais.
Outras Causas Clínicas
Infecções e Estímulos Imunológicos
Além disso, em casos de infecções virais agudas, como a dengue, uma resposta imunológica intensa pode induzir a liberação de plasmócitos para o sangue periférico. Embora essa migração não seja característica principal da infecção, um aumento temporário de plasmócitos pode ocorrer como parte da resposta imunológica exacerbada, incluindo até mesmo casos de vacinação.
A medula óssea, nesses casos, libera mais células para auxiliar na produção de anticorpos. Outros vírus, como o HIV, também podem estar associados ao aumento da produção de plasmócitos, embora os mecanismos imunológicos sejam distintos.
Distúrbios Autoimunes e Linfoproliferativos
Desse forma, doenças autoimunes como o lúpus eritematoso sistêmico (LES) e distúrbios linfoproliferativos podem levar ao aumento da produção de plasmócitos, que acabam sendo liberados para o sangue. Nessas condições, a produção desregulada de anticorpos resulta em plasmócitos circulantes.
Embora esses plasmócitos não sejam o fator predominante nas doenças autoimunes, sua presença no sangue pode complicar o quadro clínico, tornando o diagnóstico e tratamento mais desafiadores. Por isso, uma avaliação cuidadosa é imprescindível.
Diagnóstico e Investigação
A detecção de plasmócitos no sangue periférico geralmente é realizada por meio de esfregaços sanguíneos, que permitem a visualização dessas células. Para confirmar o diagnóstico e investigar as causas subjacentes, são necessárias técnicas adicionais, como citometria de fluxo, biópsia de medula óssea e exames laboratoriais, como a eletroforese de proteínas.
Desse modo, no caso de infecções virais como a dengue, é fundamental monitorar parâmetros laboratoriais como contagem de plaquetas e leucócitos para avaliar a gravidade da doença e a resposta imunológica do paciente.
Considerações
Ademais, a investigação clínica deve considerar a história do paciente. Sintomas como febre, dor óssea, fadiga excessiva ou sinais de disfunção renal devem ser analisados juntamente com a presença de plasmócitos no sangue periférico, o que possibilita um diagnóstico diferencial mais preciso. Assim, no contexto de infecção viral, como a dengue, a identificação de outros sinais clínicos, como trombocitopenia, é crucial para diferenciar entre as causas hematológicas subjacentes.

Referências:
Kyle, R. A., & Rajkumar, S. V. (2004). Multiple myeloma. New England Journal of Medicine, 351(18), 1860-1873.
Dimopoulos, M. A., & Palumbo, A. (2009). Diagnosis and management of multiple myeloma. Hematology/Oncology Clinics of North America, 23(3), 607-623.
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