O hemograma é um dos exames laboratoriais mais fundamentais para a avaliação de distúrbios hematológicos. Dentro deste exame, alguns parâmetros hematimétricos, mais precisamente da série vermelha, desempenham um papel crucial na identificação de anemias, permitindo ao analista clínico uma avaliação detalhada do estado eritrocitário.
Assim, os principais parâmetros utilizados incluem o Volume Corpuscular Médio (VCM), a Hemoglobina Corpuscular Média (HCM), a Concentração de Hemoglobina Corpuscular Média (CHCM) e a Amplitude de Distribuição dos Eritrócitos (RDW).

1. VCM – Volume Corpuscular Médio
Os profissionais utilizam amplamente o VCM para classificar as anemias, pois ele fornece informações sobre o tamanho médio dos eritrócitos. Assim, o equipamento obtém o VCM ao contar o total de hemácias e medir seu volume, calculando a média. O VCM ajuda a classificar a anemia de acordo com o tamanho das células vermelhas, sendo, portanto, essencial para distinguir anemias microcíticas, normocíticas e macrocíticas.
- Anemia Microcítica: Quando o VCM é inferior ao valor de referência (Ex: <80 fL), com hemoglobina diminuída, geralmente está associado a condições como anemia ferropriva e talassemias.
- Anemia Normocítica: Valores de VCM normais (Ex: 80-100 fL) com hemoglobina diminuída, sendo frequentemente observados em anemias regenerativas, como as hemolíticas.
- Anemia Macrocítica: Quando o VCM é superior ao valor de referência (Ex: >100 fL) com hemoglobina diminuída. Isso pode indicar a presença de anemias megaloblásticas, frequentemente associadas à deficiência de vitamina B12 ou ácido fólico, além de doenças hepáticas e alcoólicas.
Portanto, a avaliação do VCM é crucial na triagem inicial das anemias, fornecendo uma base sólida para a escolha de exames complementares e o planejamento terapêutico.
2. HCM – Hemoglobina Corpuscular Média
A HCM mede a quantidade média de hemoglobina em cada eritrócito. Sua fórmula é dada por:

onde Hb é a dosagem de hemoglobina e CE é a contagem de eritrócitos). Portanto, esse índice é especialmente útil para classificar anemias hipocrômicas e normocrômicas, fornecendo informações sobre a capacidade de transporte de oxigênio das células vermelhas.
- Anemia Hipocrômica: Quando a HCM está diminuída, geralmente abaixo de 27 picogramas, é característico de anemias como a ferropriva, onde os eritrócitos apresentam pouca hemoglobina devido à deficiência de ferro.
- Anemia Normocrômica: Em anemias regenerativas, a HCM pode ser normal, indicando que a quantidade de hemoglobina dentro das células está preservada, mas que a produção de células está inadequada.
3. CHCM – Concentração de Hemoglobina Corpuscular Média
A CHCM mede a concentração de hemoglobina dentro do eritrócito e é calculada pela fórmula:

onde Hb é a dosagem de hemoglobina e Ht é o hematócrito). Esse índice é útil para identificar anemias com problemas de concentração de hemoglobina, tendo aplicação semelhante a HCM.
- Valores aumentados: Assim, em casos reais de aumento da CHCM podem indicar presença de distúrbios genéticos, como a esferocitose hereditária, ou mesmo doenças falciformes com presença de drepanócitos. Em ambos os casos, as células vermelhas se tornam mais densas, devido a alterações de suas formas, que acabam por concentrar maior quantidade de hemoglobina em relação a seu volume.
- Anemia Hipocrômica: A CHCM também pode ser útil para classificar anemias hipocrômicas, já que uma redução na concentração de hemoglobina dentro dos eritrócitos é característica de anemias como a ferropriva.
4. RDW – Amplitude de Distribuição dos Eritrócitos
O RDW é outro índice importante no hemograma. Ele indica a variação no tamanho dos eritrócitos e é útil, portanto, para identificar anisocitose, um sinal de distúrbios na eritropoiese. Logo, em anemias regenerativas, a medula óssea frequentemente libera eritrócitos de tamanhos variados, o que eleva os valores de RDW.

Referências:
Naoum, P. C., & Naoum, F. A. (2008). Hematologia Laboratorial – Eritrócitos (2ª ed.). Academia de Ciência e Tecnologia.
Colletti, M., & Masi, M. (2017). Hematological indices as diagnostic tools in clinical practice. Journal of Clinical Pathology, 70(8), 674-681.
Melo, F. P., et al. (2019). The role of hematimetric indices in anemia diagnosis: A comprehensive review. Hematology Reports, 11(2), 72-79.