A leucemia monocítica aguda constitui um subtipo específico das leucemias mieloides agudas, apresentando características próprias que exigem análise criteriosa no contexto clínico-laboratorial. Classificada como LMA-M5 segundo o sistema FAB, essa neoplasia é marcada pela proliferação predominante de células da linhagem monocítica em diferentes estágios de maturação. Dessa forma, o reconhecimento de seus subtipos, bem como de seus aspectos morfológicos e imunofenotípicos, torna-se essencial para a correta classificação e condução diagnóstica.

Definição e Classificação da LMA-M5
Inicialmente, a leucemia monocítica aguda é caracterizada pela expansão clonal de monoblastos, promonócitos e monócitos maduros na medula óssea e, frequentemente, no sangue periférico. Conforme o grau de maturação celular predominante, essa leucemia é subdividida em dois subtipos morfológicos distintos.
Por um lado, a LMA-M5a, denominada monoblástica aguda, apresenta predomínio de monoblastos, os quais correspondem a, no mínimo, 80% das células da linhagem monocítica, enquanto os elementos granulocíticos em maturação representam menos de 20%. Por outro lado, a LMA-M5b, conhecida como monocítica aguda, é caracterizada pela predominância de promonócitos e monócitos maduros, que também devem corresponder a pelo menos 80% das células monocíticas, sendo os monoblastos presentes de forma minoritária.
Assim, essa classificação baseia-se diretamente no estágio de diferenciação celular observado.
Critérios Diagnósticos e Perfil Imunofenotípico da LMA-M5
Além da avaliação morfológica, a diferenciação entre os subtipos da LMA-M5 requer a integração de métodos complementares. Nesse sentido, os achados citoquímicos desempenham papel relevante, destacando-se a positividade da esterase não específica (NSE), geralmente associada à linhagem monocítica. Ademais, a imunofenotipagem é fundamental para confirmar a origem celular, evidenciando a expressão de marcadores típicos como CD14 e CD64, além de antígenos mieloides frequentemente associados, como CD33 e CD13. Portanto, a combinação entre morfologia, citoquímica e imunofenótipo garante maior precisão diagnóstica e diferencia a LMA-M5 de outros subtipos de leucemia aguda.
Características Morfológicas dos Blastos e Distribuição Etária
No que se refere às características morfológicas, os blastos da leucemia monocítica aguda são, em geral, células de grande porte, com relação núcleo-citoplasma habitualmente elevada. O núcleo apresenta formato arredondado ou oval, podendo exibir discreto pregueamento nos contornos, enquanto a cromatina mantém-se delicada. Além disso, os nucléolos são proeminentes, normalmente variando entre um e quatro por célula.
O citoplasma, por sua vez, é basofílico, podendo conter granulações azurófilas finas, além de apresentar vacuolização citoplasmática frequente, um achado típico dessa linhagem. Paralelamente aos aspectos morfológicos, observa-se que a LMA-M5 pode acometer indivíduos de qualquer faixa etária. Contudo, a forma M5a é mais comum em pacientes jovens, ao passo que a M5b tende a ocorrer com maior frequência em adultos de meia-idade.
Referências
OLIVEIRA, Larissa Santana; ALCANTARA, Thiago Ruan de Lima. Atlas em hematologia: um guia visual para a identificação de células sanguíneas. 1. ed. Salvador: Oxente, 2025.
SOUZA, M. et al. Associação entre leucemia monocítica aguda e síndrome hemofagocítica. Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia. Rio de Janeiro, 2015.