Leucemia Eritroide Aguda (LEA)

A Leucemia Eritroide Aguda é uma neoplasia mieloide rara e agressiva, caracterizada pela proliferação descontrolada de precursores eritroides na medula óssea. Classificada historicamente como LMA-M6 segundo o sistema FAB, essa entidade apresenta particularidades morfológicas, genéticas e clínicas que a diferenciam de outras leucemias agudas. Dessa forma, o reconhecimento adequado de seus critérios diagnósticos é essencial para a condução clínica e laboratorial correta.

Além disso, trata-se de uma condição que pode acometer indivíduos de diferentes faixas etárias, inclusive crianças, e que, frequentemente, está associada a alterações genéticas de grande impacto prognóstico.

Conceito e Características Gerais da Leucemia Eritroide Aguda

A LEA é definida pela expansão acentuada da linhagem eritroide na medula óssea. Em sua forma pura, mais de 80% das células nucleadas pertencem a essa linhagem, sendo que pelo menos 30% devem corresponder a proeritroblastos, critério indispensável para o diagnóstico.

Nesse contexto, observa-se comprometimento da hematopoese normal, o que resulta em citopenias periféricas e manifestações clínicas associadas à insuficiência medular.

Aspectos Morfológicos dos Proeritroblastos

A avaliação morfológica dos proeritroblastos constitui um dos pilares diagnósticos da leucemia eritroide aguda. Essas células apresentam tamanho médio a grande, sendo consideradas as maiores da linhagem eritroide. O núcleo é volumoso, com cromatina fina e delicada, de aspecto reticulado, e pode conter de um a três nucléolos, cuja evidência varia conforme o estágio de maturação.

Além disso, quando comparados aos mieloblastos, os proeritroblastos exibem cromatina discretamente mais condensada e coloração intensamente basofílica, com tonalidade azul-arroxeada. O citoplasma, por sua vez, apresenta coloração azul intensa e frequentemente exibe uma área clara perinuclear correspondente ao complexo de Golgi.

Outro achado relevante é a presença de projeções citoplasmáticas, conhecidas como “blebs”, que conferem contornos irregulares à célula. A relação núcleo-citoplasma costuma ser elevada, com predomínio nuclear, reforçando o caráter imaturo dessas células.

Importância do Diagnóstico Laboratorial e Implicações Prognósticas

O diagnóstico da LEA depende fortemente da integração entre achados morfológicos, laboratoriais e genéticos. A análise detalhada da medula óssea é indispensável para quantificar a proporção de células eritroides e confirmar a presença de proeritroblastos em percentual compatível com os critérios diagnósticos.

Além disso, estudos genéticos revelam, com frequência, mutações associadas a instabilidade genômica, especialmente envolvendo o gene TP53, o que confere maior agressividade à doença. Essas alterações estão diretamente relacionadas à evolução clínica desfavorável e à menor resposta aos esquemas terapêuticos convencionais.

Consequentemente, o diagnóstico preciso não apenas confirma a entidade nosológica, mas também fornece informações relevantes para a estratificação de risco e o planejamento terapêutico.

Referências bibliográficas

OLIVEIRA, Larissa Santana; ALCANTARA, Thiago Ruan de Lima. Atlas em hematologia: um guia visual para a identificação de células sanguíneas. 1. ed. Salvador: Oxente, 2025.

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