A leucemia eosinofílica crônica (LEC) é uma neoplasia hematológica rara pertencente ao grupo das leucemias mieloides crônicas, caracterizada pela proliferação anormal de eosinófilos na medula óssea, no sangue periférico e em diferentes tecidos. Apesar de sua baixa incidência, essa condição representa um desafio significativo para o diagnóstico e para o manejo clínico, principalmente devido à sua complexidade biológica e à ausência de consenso absoluto sobre estratégias terapêuticas padronizadas.
Nesse contexto, o laboratório clínico assume papel fundamental na identificação precoce da doença e na diferenciação de outras causas de eosinofilia. Assim, a avaliação criteriosa dos parâmetros hematológicos, morfológicos e moleculares torna-se essencial para a confirmação diagnóstica e para o acompanhamento do paciente.

Lâmina de LEC Fonte: https://www.elrincondelamedicinainterna.com/2020_05_16_archive.html
1. Características hematológicas e fisiopatológicas da LEC
A LEC é caracterizada pelo aumento persistente e desregulado da produção de eosinófilos, células envolvidas na resposta imunológica e em processos inflamatórios. Esse aumento ocorre devido à proliferação clonal dessas células na medula óssea, resultando em sua liberação excessiva para o sangue periférico e, eventualmente, infiltração em tecidos.
Além disso, a presença de eosinófilos em quantidade elevada pode provocar danos teciduais progressivos, especialmente em órgãos como coração, pulmões e sistema gastrointestinal. Dessa forma, a identificação laboratorial precoce dessa proliferação celular é essencial para prevenir complicações e orientar intervenções terapêuticas adequadas.
2. Critérios laboratoriais para o diagnóstico da leucemia eosinofílica crônica
O diagnóstico da leucemia eosinofílica crônica baseia-se em critérios laboratoriais específicos que permitem diferenciar essa condição de outras causas reativas de eosinofilia. Entre os principais critérios diagnósticos, destaca-se a contagem de eosinófilos superior a 1,5 x 10⁶ por microlitro no sangue periférico, considerada um dos parâmetros fundamentais para a suspeita da doença.
Adicionalmente, a presença de blastos em proporções superiores a 2% no sangue periférico ou 5% na medula óssea constitui um achado relevante para a caracterização do processo neoplásico. Outro aspecto importante é a identificação de anormalidades genéticas detectáveis por técnicas de citogenética ou análise molecular, que reforçam a natureza clonal da doença.
Portanto, a combinação entre dados hematológicos, morfológicos e genéticos é indispensável para o diagnóstico definitivo da LEC, evidenciando a importância da atuação integrada do laboratório na investigação dessa patologia.

3. Desafios diagnósticos e importância da abordagem multidisciplinar
Na prática laboratorial, a leucemia eosinofílica crônica apresenta desafios diagnósticos relevantes, principalmente devido à necessidade de distinguir essa doença de outras condições associadas à eosinofilia, como processos inflamatórios, infecciosos ou alérgicos. Dessa maneira, a interpretação dos resultados laboratoriais deve ser realizada de forma criteriosa e associada ao contexto clínico do paciente.
Além disso, a ausência de protocolos terapêuticos universalmente definidos reforça a importância da investigação contínua dos mecanismos patogenéticos envolvidos na doença. Nesse cenário, o avanço das técnicas laboratoriais e da medicina personalizada tem contribuído para o desenvolvimento de terapias-alvo específicas, ampliando as perspectivas de tratamento e monitoramento da doença.
Referências:
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