Os Grandes Linfócitos Granulares: Relato no Hemograma

Os grandes linfócitos granulares (GLG) são células do sistema imunológico que desempenham um papel importante na resposta imune, especialmente na defesa contra infecções virais e células tumorais. 

A princípio, sua identificação no hemograma, especialmente em esfregaços sanguíneos, é importante para a correta interpretação dos resultados laboratoriais, fornecendo pistas sobre o estado clínico do paciente.

Imagem 1. Grande linfócito granular

O Que São os Grandes Linfócitos Granulares?

Dessa forma, os grandes linfócitos granulares são variantes dos linfócitos, que se distinguem pela sua morfologia e função. Enquanto os linfócitos típicos possuem um núcleo redondo ou levemente irregular e um citoplasma fino, os GLGs são caracterizados por um tamanho maior (de 12 a 18 micrômetros), o núcleo que pode ser mais irregular ou não, citoplasma mais abundante que contém grânulos visíveis. 

Esses grânulos podem ser homogêneos ou variar de acordo com a atividade da célula, sendo frequentemente observados em condições de resposta imune intensa, como em infecções virais ou em algumas doenças.

Como Identificar no Hemograma?

Portanto, a identificação de grandes linfócitos granulares no hemograma ocorre quando o profissional analisa, ao microscópio, a morfologia das células em esfregaços sanguíneos com maior detalhe. Logo, as características essenciais para distinguir esses linfócitos incluem:

  • Tamanho aumentado: Os GLGs são maiores que os linfócitos típicos, o que facilita sua identificação.
  • Grânulos citoplasmáticos: A presença de grânulos azuis ou róseos no citoplasma é uma característica marcante.
  • Núcleo irregular: O núcleo pode ser mais irregular ou menos heterocromático que os linfócitos típicos.

Quando Relatar os Grandes Linfócitos Granulares no hemograma?

Desse modo, quando os grandes linfócitos granulares ultrapassam 20% do total de linfócitos típicos, o profissional deve reportá-los em observação. 

A presença de uma quantidade significativa de GLGs pode ser indicativa de uma resposta imunológica ativa, como ocorre em situações de infecção viral (por exemplo, mononucleose infecciosa) ou de algumas condições, como tumores malignos.

Exemplo de cálculo para verificar se a porcentagem ultrapassou 20%:
Total de linfócitos: 50 —100%
GLG encontrados: 20—x
X = 40%, sendo necessário relatar:

“Presença de 20% de grandes linfócitos granulares, acima incluídos na contagem de linfócitos.”

Relevância Clínica

Grandes linfócitos granulares aparecem com frequência em situações patológicas, mas também podem surgir em condições benignas. 

Por fim, em muitos casos, sua presença em número elevado está associada a doenças virais, como a mononucleose infecciosa ou infecções por citomegalovírus. O profissional deve sempre interpretar a observação de GLGs em conjunto com a história clínica do paciente e outros achados laboratoriais.

Referências:

Bain, Barbara J. “Células Sanguíneas: Um Guia Prático”. Artmed, 5ª edição. 2016.

Zago, Marco Antonio, Falcão, Roberto Passetto, Pasquini, Ricardo. “Tratado de Hematologia”, Editora Atheneu, 2014.

Failace, Renato. “Hemograma: Manual de Interpretação”, 5ª edição. Artmed, 2016.