Esfregaço sanguíneo em amostras com hematócrito elevado

As variações do hematócrito exercem influência direta sobre as propriedades físicas do sangue, como viscosidade, fluidez e densidade celular. Essas alterações, portanto, impactam de forma significativa a técnica de preparo do esfregaço sanguíneo, exigindo adaptações para garantir uma visualização adequada e resultados confiáveis na análise microscópica.

Dessa forma, a avaliação prévia do valor do hematócrito, associada à observação das características visuais da amostra, é uma etapa essencial da rotina laboratorial. Amostras mais densas e menos fluídas demandam um olhar técnico apurado, bem como a experiência do analista é determinante para reconhecer essas condições e ajustar corretamente a técnica de confecção do esfregaço.

Condições associadas à elevação do hematócrito

Observamos o hematócrito elevado, principalmente, em situações como policitemia e desidratação. Nesses cenários, a concentração aumentada de hemácias eleva a viscosidade do sangue, tornando mais difícil a obtenção de um esfregaço uniforme e bem distribuído.

Dessa forma, é frequente a formação de esfregaços curtos, espessos e com excesso de células sobrepostas. Esse padrão compromete a zona de leitura ideal, além de dificultar a diferenciação celular e poder interferir na avaliação morfológica de hemácias, leucócitos e plaquetas.

Ajustes técnicos no esfregaço sanguíneo em amostras com hematócrito elevado

Para minimizar os efeitos do hematócrito elevado, alguns ajustes técnicos simples podem, portanto, melhorar significativamente a qualidade do esfregaço. Nesse sentido, a redução do ângulo da lâmina extensora, associada à diminuição da velocidade de deslizamento, favorece a formação de um esfregaço mais longo e com menor espessura.

Além disso, a aplicação de uma pressão leve, constante e uniforme durante o movimento da lâmina é fundamental para evitar deformações celulares e garantir uma distribuição mais homogênea das células ao longo do esfregaço. Esses ajustes permitem a obtenção de uma área de leitura adequada, mesmo em amostras com alta concentração celular.

O que fazer quando os ajustes não são suficientes

Em determinadas situações, mesmo após a correção do ângulo, da pressão e da velocidade da lâmina extensora, a amostra pode continuar apresentando dificuldades para a confecção de um esfregaço satisfatório. Dessa forma, a diluição da amostra é uma alternativa técnica indicada.

A técnica (Diluição sugerida) consiste nas seguintes etapas:

  • Utilizar um tubo sem aditivo;
  • Adicionar 20 microlitros da amostra de sangue previamente homogeneizada;
  • Adicionar 20 microlitros de plasma autólogo ou solução salina;
  • Homogeneizar a mistura de forma delicada;
  • Utilizar 5 microlitros da amostra diluída para confeccionar o esfregaço sanguíneo.

Esse procedimento reduz a densidade celular e facilita a formação de um esfregaço mais fino e uniforme, permitindo uma análise morfológica mais precisa.

Informação importante sobre o uso da amostra diluída 

O esfregaço obtido a partir de amostras diluídas deve ser utilizado para avaliação morfológica. A diluição altera a proporção entre células e plasma, inviabilizando a quantificação direta dos elementos sanguíneos presentes.

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Referências


OLIVEIRA, Larissa Santana; ALCANTARA, Thiago Ruan de Lima. Atlas em hematologia: um guia visual para a identificação de células sanguíneas. 1. ed. Salvador: Oxente, 2025.