EOSINÓFILOS E ALERGIA: O PAPEL NA RESPOSTA INFLAMATÓRIA E DIAGNÓSTICO LABORATORIAL

Os processos alérgicos são respostas imunológicas exacerbadas a substâncias geralmente inofensivas ao organismo, denominadas alérgenos. Essas reações são mediadas pela imunoglobulina E (IgE) e envolvem também a ativação de mastócitos, resultando na liberação de mediadores inflamatórios, como a histamina.

Dentre as alterações hematológicas associadas a essas reações, destaca-se a eosinofilia, caracterizada pelo aumento do número de eosinófilos em circulação.

Mecanismo imunológico:

A reação alérgica tem origem na ativação da IgE, que se liga a receptores específicos na superfície dos mastócitos. Essa interação promove a degranulação celular, liberando substâncias como histamina, leucotrienos e prostaglandinas, que desencadeiam vasodilatação, edema e prurido.

Nos casos mais graves, como na anafilaxia, há risco de broncoespasmo e choque. A ativação imune também estimula a produção de eosinófilos, justificando a sua elevação nos quadros alérgicos.

Eosinófilos: Morfologia e função

Os eosinófilos são leucócitos granulocíticos originados na medula óssea e representam entre 3% e 5% dos leucócitos em circulação. Apresentam um núcleo bilobulado e grânulos citoplasmáticos alaranjados, ricos em substâncias como proteína básica principal (MBP) e neurotoxina derivada de eosinófilos (EDN), com papel citotóxico e inflamatório. Embora compartilhem origens com os neutrófilos, os eosinófilos estão envolvidos principalmente em reações alérgicas e na defesa contra parasitas helmínticos.

A diferenciação dos eosinófilos é regulada por citocinas como IL-3, IL-5 e GM-CSF, sendo a IL-5 a mais relevante na ativação e liberação dessas células na circulação. Em pacientes com asma, por exemplo, o contato com alérgenos resulta no aumento de IL-5, promovendo eosinofilia e agravando o processo inflamatório.

Eosinófilos em lâmina, destacando núcleo segmentado e grânulos citoplasmáticos característicos. Fonte: CellWiki.

Eosinofilia e processos alérgicos:

A eosinofilia está diretamente relacionada a doenças alérgicas, como asma, rinite alérgica e dermatite atópica. Nos quadros asmáticos, observa-se infiltração eosinofílica no trato respiratório, exacerbando a inflamação e obstrução brônquica.

Em dermatites alérgicas, os eosinófilos são atraídos para a pele, contribuindo para o prurido e as lesões cutâneas. Além disso, a presença dessas células pode ser indicativa de infecções parasitárias e neoplasias.

Diagnóstico laboratorial:

O hemograma é um dos principais exames para avaliação da eosinofilia. Em indivíduos saudáveis, a contagem de eosinófilos varia entre 0 e 500 células/µL. Valores acima desse limite sugerem uma resposta inflamatória exacerbada. Além da contagem diferencial de leucócitos, exames complementares como dosagem de IgE e testes cutâneos são fundamentais para a investigação das doenças alérgicas.

O que isso significa na prática?

Os eosinófilos desempenham um papel essencial nos processos alérgicos, atuando na resposta inflamatória e agravando condições como asma e dermatite atópica. A eosinofilia, quando presente, pode servir como um marcador laboratorial relevante para o diagnóstico de doenças alérgicas e parasitárias. A compreensão do papel dessas células auxilia na abordagem clínica e terapêutica, permitindo intervenções mais eficazes para o manejo dos pacientes.

Referências:

NAOUM, Flávio Augusto. Doenças que alteram os exames hematológicos. 2. ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 2017.

ZAGO, Marcos Antonio et al. Tratado de Hematologia. Atheneu, 2014.