Eliptócitos e Drepanócitos no Hemograma

A análise morfológica das hemácias no esfregaço sanguíneo é parte essencial da avaliação hematológica. Entre as poiquilocitoses mais conhecidas, destacam-se os eliptócitos e os drepanócitos, cada um associado a condições clínicas distintas, mas com grande valor diagnóstico.

Por essa razão, o reconhecimento dessas formas anormais exige conhecimento técnico apurado, uma vez que sua presença pode indicar desde alterações hereditárias até distúrbios adquiridos.

1. Eliptócitos

a) Morfologia

  • Apresentam formato elíptico, variando desde estruturas mais ovais até formas extremamente alongadas.
  • A membrana permanece íntegra, além de manter, geralmente, a presença do halo hemoglobínico e a distribuição da hemoglobina na periferia.
  • O grau de eliptocitose é definido pela proporção de células alteradas; em geral, mais de 25% sugere uma doença hereditária.

b) Mecanismo de Formação

  • Alterações na espectrina ou na proteína 4.1R da membrana eritrocitária comprometem sua estabilidade estrutural, o que acaba resultando na deformação celular.
  • Esse processo pode ser de origem hereditária (eliptocitose hereditária) ou, alternativamente, ocorrer como consequência de doenças adquiridas.

c) Condições Associadas

  • Eliptocitose hereditária: geralmente assintomática ou com anemia hemolítica leve.
  • Anemias ferroprivas: os eliptócitos são frequentes, porém em menor quantidade.
  • Talassemias e síndromes mielodisplásicas: nessas condições, os eliptócitos podem estar presentes como parte do quadro dismórfico.

Eliptócitos em esfregaço sanguíneo

2) Drepanócitos (Hemácias Falciformes)

a) Morfologia

  • São células caracteristicamente alongadas e curvadas, assumindo forma de foice ou meia-lua. Em fase transicional podem apresentar-se pouco curvadas porém com aspecto de maior densidade
  • Podem coexistir com células-alvo e outros poiquilócitos comuns nas anemias hemolíticas

b) Mecanismo de Formação

  • Resultam de uma mutação no gene da β-globina (substituição do ácido glutâmico por valina na posição 6), originando assim a hemoglobina S (HbS).
  • Em condições de baixa tensão de oxigênio, a HbS polimeriza, distorcendo a célula e tornando-a menos deformável.
  • Essa rigidez leva à hemólise crônica e, consequentemente, aos fenômenos vaso-oclusivos.

c) Condições Associadas

  • Anemia falciforme (homozigose HbSS): cursa com quadro clínico grave.
  • Traço falciforme (heterozigose HbAS): geralmente assintomático, contudo, pode falcizar em situações de hipóxia grave.
  • Doenças falciformes combinadas: como HbSC, HbSD e HbSβ-talassemia, com manifestações variáveis.

Hemácia em foice, com seu interior bem denso, escuro e extremidades afinadas.

3) Tabela comparativa dos eliptócitos e drepanócitos:

4) Importância dos eliptócitos e drepanócitos no Hemograma

Os eliptócitos, quando em pequena quantidade, podem surgir em anemias ferroprivas. No entanto, quando seu número ultrapassa 25%, isso sugere fortemente um distúrbio hereditário.

Por outro lado, a presença de drepanócitos no esfregaço é altamente indicativa de hemoglobinopatia S. Nesses casos, é fundamental confirmar com eletroforese de hemoglobina ou cromatografia líquida de alta performance (HPLC).

Portanto, a identificação dessas células deve ser correlacionada com dados clínicos, laboratoriais e, quando necessário, com estudos genéticos complementares.

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Referências:

  • Bain BJ. Blood Cells: A Practical Guide. 5th ed. Wiley-Blackwell; 2015.
  • Hoffbrand AV, Moss PAH. Essential Haematology. 7th ed. Wiley-Blackwell; 2016.
  • Wintrobe MM. Wintrobe’s Clinical Hematology. 14th ed. Wolters Kluwer; 2018.