Os eritroblastos são células imaturas, precursoras das hemácias, normalmente restritas à medula óssea, mas que podem ser observadas no sangue periférico em determinadas condições. A presença dessas células exige atenção dos analistas clínicos, uma vez que alguns equipamentos não conseguem quantificá-los separadamente, resultando na inclusão delas na contagem global de leucócitos, o que pode gerar falsas leucocitoses. Dessa forma, é necessário realizar a correção dos leucócitos totais na presença de eritroblastos.
Eritroblastos. Fonte: Cell wiki.
Essas células são consideradas relativamente fáceis de serem identificadas na microscopia, pois frequentemente aparecem como uma “hemácia nucleada”. No entanto, à medida que a célula se encontra em estágios mais imaturos, seu reconhecimento pode se tornar mais desafiador e exigir maior experiência por parte do analista clínico.
A presença de eritroblastos e/ou reticulócitos na lâmina pode indicar distúrbios na eritropoiese, ou seja, no processo de produção de hemácias.
Números elevados de eritroblastos em sangue periférico podem refletir uma atividade excessiva da medula óssea, geralmente ocorrendo como uma resposta compensatória, seja após uma perda aguda de sangue ou em resposta a condições patológicas, como anemias hemolíticas ou hemoglobinopatias.
No entanto essa presença também pode refletir um sinal positivo, como no tratamento para anemias hipoproliferativas, como na deficiência de ferro
Com o avanço tecnológico, alguns analisadores hematológicos têm conseguido detectar a presença de eritroblastos e incluir sua contagem nos resultados. Contudo, para os aparelhos que não possuem essa tecnologia de detecção específica, a presença de eritroblastos pode interferir nos resultados automatizados, aumentando erroneamente a contagem de leucócitos.
Isso ocorre porque, por serem células nucleadas, os eritroblastos são frequentemente contados como leucócitos pelos analisadores automáticos, mas precisamente como linfócitos.
Nesses casos, é imprescindível realizar a correção da contagem global de leucócitos, de modo a garantir que o laudo final seja preciso e reflita corretamente o estado hematológico do paciente.
Como realizar a correção:
É válido ressaltar que é necessário fazer essa correção sempre que for visualizado número considerável de eritroblastos, geralmente quando superior a 10, outros locais corrigem quando superior a 5 em 100 células contadas.
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O domínio sobre essas técnicas de contagem e correção é um componente chave para a excelência na prática hematológica e você precisa estar preparado para enfrentar esses desafios da rotina laboratorial.

Referências:
DE MELO, Márcio Antonio Wanderley; DA SILVEIRA, Cristina Magalhães. Laboratório de Hematologia–teorias, técnicas e atlas. Editora Rubio, 2020.
BRITO JUNIOR, Lacy et al. Validação do analisador hematológico Mindray BC6000 para a contagem de eritroblastos em sangue periférico. Jornal Brasileiro de Patologia e Medicina Laboratorial, v. 58, p. e4422022, 2022.
DA SILVA, Paulo Henrique et al. Hematologia laboratorial: teoria e procedimentos. Artmed Editora, 2015.