Os corpúsculos de Barr são visíveis como uma massa condensada de cromatina ao longo da periferia do núcleo das células somáticas, principalmente das mulheres, por estar relacionado a inativação cromossomo X.
O processo de inativação do cromossomo X, também conhecido como lyonização, é um mecanismo epigenético, em que cada célula somática feminina, um dos cromossomos X é aleatoriamente inativado durante o desenvolvimento embrionário precoce.
O evento é responsável por garantir a compensação de dose em relação à transcrição gênica nos cromossomos sexuais entre homens (XY) e mulheres (XX). O processo tem início nas primeiras etapas do desenvolvimento do embrião feminino, com a transcrição do gene XIST, a partir do futuro X inativo.
Este gene exclusivo de mamífero eutérios é transcrito para um mRNA e suas moléculas se depositam em CIS e então recrutam todas as modificações epigenéticas associadas a heterocromatina incluindo modificações de histona e metilação do DNA deixando o cromossomo num estado transcricional inativo.
O estado inativo do cromossomo X é firmemente mantido através das mitoses, e assim as células pertencentes a uma população clonal devem possuir sempre o mesmo Xi. Incluindo as células hematológicas como os neutrófilos que podem se apresentar com núcleo segmentar podendo ter protusões, como o corpúsculo de Barr, um pequeno fragmento nuclear conectado ao restante do núcleo por um fio.
Este achado em sí não possui aplicação clínica na rotina, sendo apenas uma curiosidade que pode ser encontrada no esfregaço sanguíneo das mulheres.

Referências:
DAHER, Vera; BE, Cecilia; YOULTON, Ronald. Cromatina de Barr: análise de seu valor atual: analysis of its current value. Revista chilena de pediatría, v. 57, n. 6, p. 506-509, 1986.
MELLO, Joana Carvalho Moreira de. Estudos da inativação do cromossomo X em humanos: iniciação e imprinting. 2015. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo.