ANEMIA PERNICIOSA

A anemia perniciosa é uma condição que a princípio é autoimune, caracterizada pela deficiência de vitamina B12, essencial para a produção dos eritrócitos, e funcionamento do sistema nervoso. a anemia perniciosa é a causa mais frequente de déficit de vitamina B12 nos países ocidentais. A lesão histológica sustentada é a gastrite crônica atrófica autoimune. A destruição das células parietais provoca um déficit do fator intrínseco, proteína fundamental para que a vitamina B12 seja absorvida no íleo terminal.

Alterações Clínicas

Os principais sintomas incluem: Astenia, palpitações, sudorese, tontura e insuficiência cardíaca de início lento, com boa tolerância pelo paciente. Os distúrbios digestivos incluem anorexia, diarreia, estomatite angular, língua lisa e despapilada, dolorosa ao toque e uma cor vermelha intensa chamada glossite de Hunter.

Alterações Laboratoriais

A principal alteração ocorre no hemograma com macrocitose quando o volume corpuscular médio é elevado (> 100) e, portanto, são observados eritrócitos grandes no sangue periférico ocorrendo justamente pela síntese anormal de DNA a partir de precursores eritróides e mieloides devido a falta de B12, o que dá origem a uma hematopoiese ineficaz. Assim a Anemia perniciosa é um tipo de Anemia Megaloblástica.

anemia perniciosa
Megalócitos em anemia Perniciosa. Fonte Cellwiki

Os exames de interesse diagnóstico são os níveis séricos de vitamina B12 (<100 pg/ml) e ácido fólico (>4 ng/ml). A determinação de anticorpos anti-FI (sensibilidade: 66%; especificidade: 95%) e o nível sérico de gastrina (se disponível) permitem o diagnóstico de 90-95% dos casos.

Em conclusão, a anemia perniciosa continua a ser um desafio clínico significativo devido à sua complexidade fisiopatológica e à ampla gama de apresentações clínicas. Esta condição, se não tratada adequadamente, pode levar a complicações graves e até mesmo fatais. No entanto, com um diagnóstico precoce e um tratamento adequado, incluindo suplementação de vitamina B12 e terapias específicas, é possível gerenciar eficazmente os sintomas, melhorar a qualidade de vida dos pacientes e prevenir danos a longo prazo.

Referências

NAOUM, Flávio Augusto. Doenças que alteram os exames hematológicos. 2. ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 2017.

PAZ, R. de; HERNÁNDEZ-NAVARRO, F. Gestão, prevenção e controle da anemia perniciosa. Nutrição Hospitalar., v. 20, n. 6, p. 433-435, 2005.