O linfoma folicular (LF) é um tipo de câncer que acomete o sistema linfático. Este tipo de linfoma é caracterizado pelo crescimento anormal de células linfoides, principalmente linfócitos B, organizadas em um padrão folicular.
O LF está frequentemente associado a uma translocação cromossômica específica, conhecida como t(14;18), que envolve o gene BCL2 no locus 18q21, resultando na superexpressão da proteína BCL2.
O desenvolvimento dos linfomas ocorre quando há uma desregulação das vias de sinalização celulares envolvidas na proliferação, diferenciação e apoptose das células linfoides do sistema hematopoiético, em resultado de alterações genéticas e/ou epigenéticas, isso inibe a apoptose (morte celular programada) dos linfócitos B, levando à proliferação descontrolada dessas células.
Os pacientes com linfoma folicular podem apresentar uma variedade de sintomas, incluindo linfomegalia, fadiga, suores noturnos, perda de peso inexplicada e prurido. No entanto, muitos pacientes podem permanecer assintomáticos por longos períodos, com a doença muitas vezes sendo descoberta incidentalmente em exames de imagem ou análises laboratoriais de rotina.
O curso indolente dessa doença geralmente se reflete pela presença de adenomegalia generalizada e organomegalia ao diagnóstico. A medula óssea é frequentemente infiltrada, e 10% dos pacientes apresentam leucocitose caracterizada pela presença de células linfomatosas de tamanho pequeno (menores que os linfócitos normais), com citoplasma muito escasso (alta relação núcleo-citoplasmática) e núcleos frequentemente clivados ou endentados, com cromatina pouco condensada, mas sem nucléolos visíveis.

A presença concomitante de deleção 6q23-36 e as alterações de TP53 contribuem para a evasão da apoptose e transformação histológica do LF, associando-se a um pior prognóstico.
Portanto, o diagnóstico precoce e preciso, junto com a compreensão das características moleculares e celulares do linfoma folicular, são cruciais para o manejo adequado da doença. A evolução das terapias direcionadas e personalizadas continua a oferecer esperança para melhores resultados e qualidade de vida para os pacientes afetados por este tipo de linfoma, apesar de seu curso geralmente indolente, representa um desafio clínico significativo que requer uma abordagem multidisciplinar para seu diagnóstico e tratamento eficaz.

Referências
Naoum, Flávio Augusto Doenças que alteram os exames hematológicos / Flávio Augusto Naoum. – 2. ed. – Rio de Janeiro: Atheneu, 2017
Atlas de hematologia : clínica hematológica ilustrada/ Therezinha Ferreira Lorenzi, coordenadora. – Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006
MARTINS, Cláudio Alexandre de Sousa. Linfoma folicular: o estado da arte. 2012. Dissertação de Mestrado.