Hemograma na Tuberculose

A tuberculose é uma doença infecciosa crônica, causada principalmente pelo Mycobacterium tuberculosis. Trata-se de um importante problema de saúde pública, especialmente em países em desenvolvimento. Nesse contexto, o hemograma assume papel complementar no acompanhamento laboratorial. Embora não seja específico para o diagnóstico, ele fornece informações relevantes sobre a resposta inflamatória e o estado geral do paciente. Assim, a interpretação adequada desses parâmetros contribui para uma avaliação clínica mais completa.

1. Alterações leucocitárias na tuberculose

De modo geral, o leucograma pode apresentar alterações variáveis na tuberculose. Frequentemente, observa-se leucocitose discreta, associada principalmente ao aumento de neutrófilos. Entretanto, em fases mais crônicas da doença, pode ocorrer linfocitose relativa, refletindo a resposta imune celular. Além disso, alguns casos podem apresentar monocitose, indicando atividade inflamatória persistente. Por outro lado, em situações mais graves ou disseminadas, pode haver leucopenia, sugerindo comprometimento da medula óssea ou estado clínico debilitado.

2. Série vermelha e anemia associada

Outro achado relevante é a presença de anemia, geralmente classificada como anemia de doença crônica. Essa condição caracteriza-se, na maioria das vezes, por hemoglobina reduzida e índices hematimétricos normocíticos e normocrômicos. Tal alteração ocorre devido à resposta inflamatória prolongada, que interfere na produção e utilização do ferro. Consequentemente, há redução da eritropoiese eficaz. Dessa forma, a avaliação da série vermelha auxilia na identificação do impacto sistêmico da infecção.

3. Plaquetas e marcadores inflamatórios indiretos

No que se refere à série plaquetária, é comum observar trombocitose reativa. Esse aumento está associado ao processo inflamatório crônico, sendo mediado por citocinas inflamatórias. Além disso, parâmetros como o volume plaquetário médio podem sofrer variações, refletindo alterações na produção e ativação plaquetária. Paralelamente, embora não faça parte direta do hemograma, a velocidade de hemossedimentação frequentemente encontra-se elevada, reforçando o caráter inflamatório da doença.

Referências:

FERRI, Anise Osório et al. Diagnóstico da tuberculose: uma revisão. Revista Liberato, v. 15, n. 24, p. 145-154, 2014. 

DE ALMEIDA PINTO, Tyane et al. Diagnóstico da tuberculose em crianças: qual o papel do hemograma e das provas de atividades inflamatórias?. 

DA SILVA DUARTE, Allyson Luiz et al. Considerações sobre a aplicação do hemograma como ferramenta balizadora do diagnóstico da síndrome febril de caráter infeccioso. The Brazilian Journal of Infectious Diseases, v. 26, p. 102092, 2022. 

QUEIROZ, João Gabriel Rodrigues et al. Importância do Hemograma em Diagnósticos Diferenciais. ACTA MSM-Periódico da EMSM, v. 4, n. 2, p. 53-59, 2016.