O método manual de coloração em Hematologia permanece amplamente utilizado por oferecer flexibilidade técnica, permitindo ajustes finos nos tempos de exposição aos reagentes, na diluição dos corantes e na intensidade da coloração. Essa característica é especialmente relevante em laboratórios de menor porte ou em situações nas quais determinadas amostras exigem configurações individualizadas para melhor avaliação morfológica.
Atualmente, existe uma ampla variedade de corantes e métodos disponíveis. No entanto, alguns se destacam por garantir excelente qualidade do esfregaço, adequada diferenciação celular e visualização precisa dos detalhes morfológicos essenciais ao diagnóstico hematológico.
Entre os principais métodos utilizados na rotina, destacam-se as colorações May-Grünwald-Giemsa (MGG), Wright, Wright-Giemsa e Leishman.
Coloração May-Grünwald-Giemsa (MGG)
A coloração May-Grünwald-Giemsa é considerada um dos métodos mais completos para avaliação morfológica em Hematologia, sendo amplamente empregada em esfregaços de sangue periférico, aspirados de medula óssea e na pesquisa de parasitas.
Procedimento técnico
- Aplicar 2 mL do corante May-Grünwald sobre a lâmina e deixar agir por 3 minutos, promovendo a fixação e a coloração inicial.
- Sem remover o corante, adicionar 1 mL de solução tampão fosfato com pH entre 6,8 e 7,2, aguardando 1 minuto.
- Escorrer o excesso de reagentes.
- Aplicar a solução de Giemsa diluída (1:10 ou 1:20, conforme a necessidade da amostra).
- Deixar agir por 13 a 15 minutos.
- Enxaguar cuidadosamente em água corrente.
- Deixar a lâmina secar na posição vertical.
Vantagens e limitações
O método MGG oferece excelente diferenciação celular, com destaque para a definição nuclear e citoplasmática, sendo particularmente útil em estudos de medula óssea e na identificação de parasitas hematológicos. Como limitação, apresenta tempo de coloração mais prolongado, o que pode impactar a rotina em ambientes de alto volume.

Coloração Wright e Wright-Giemsa
As colorações Wright e Wright-Giemsa são amplamente utilizadas para esfregaços de sangue periférico devido à sua eficiência, padronização e boa capacidade de diferenciação celular. O método Wright-Giemsa combina características dos dois corantes, resultando em melhor equilíbrio entre contraste nuclear e citoplasmático.
Procedimento de coloração Wright
- Aplicar 2 mL do corante Wright sobre a lâmina e deixar agir por 3 minutos.
- Sem remover o corante, adicionar 4 mL de solução tampão fosfato com pH entre 6,8 e 7,2.
- Aguardar 4 minutos.
- Enxaguar cuidadosamente em água corrente.
- Deixar a lâmina secar na posição vertical.
Vantagens e limitações
O método Wright é rápido e prático, sendo ideal para a rotina de hematologia. No entanto, pode apresentar menor contraste entre os componentes celulares, especialmente em estruturas nucleares mais delicadas.
Já o Wright-Giemsa proporciona boa qualidade de diferenciação celular e maior padronização entre esfregaços, embora, em alguns casos, a intensidade da coloração nuclear possa ser inferior à observada no método MGG.
Coloração Leishman
A coloração de Leishman é outro método do grupo Romanowsky, utilizada principalmente para esfregaços sanguíneos, embora seja menos frequente que as outras técnicas na rotina laboratorial atual.
Procedimento técnico
- Aplicar 2 mL do corante Leishman sobre a lâmina e deixar agir por 3 minutos.
- Sem remover o corante, adicionar volume igual de solução tampão fosfato ou água destilada.
- Deixar agir por 10 a 15 minutos.
- Enxaguar cuidadosamente em água corrente.
- Deixar a lâmina secar na posição vertical.
Vantagens e limitações
O método Leishman apresenta boa diferenciação celular e qualidade satisfatória para avaliação morfológica. Contudo, seu uso é menos difundido, principalmente devido à preferência por métodos mais padronizados, como Wright-Giemsa e MGG.

Observações sobre padronização e ajustes técnicos na coloração
Os protocolos de coloração descritos neste artigo devem ser utilizados como guia técnico, servindo como referência para a execução correta dos métodos. No entanto, é fundamental destacar que as características inerentes a cada corante, bem como variações entre fabricantes, podem ocasionar pequenas adaptações na técnica, especialmente em relação aos tempos de exposição, diluições e intensidade da coloração.
Dessa forma, o papel do analista é essencial, sendo necessário manter atenção constante ao aspecto final da lâmina e estar preparado para ajustar a técnica sempre que necessário.
Quando é preciso reavaliar a técnica de coloração?
Entre os principais momentos que exigem essa adaptação, destacam-se a abertura de um novo frasco de corante, independentemente de pertencer ou não ao mesmo lote, o uso de frascos que permanecem abertos por longos períodos, além de amostras com celularidade elevada ou reduzida, que podem interferir diretamente na fixação e na intensidade da coloração.
Outros fatores, como variações no pH da solução tampão, qualidade da água utilizada, tempo de secagem do esfregaço e condições ambientais do laboratório, também podem influenciar o resultado final. Por isso, a avaliação crítica do esfregaço após a coloração são indispensáveis para garantir um procedimento adequado, preservar os detalhes morfológicos e assegurar interpretações diagnósticas confiáveis.
A IMPORTÂNCIA DA CAPACITAÇÃO PARA PROFISSIONAIS DA ÁREA LABORATORIAL
Se você busca aprofundar seus conhecimentos sobre anisocitose e outras condições hematológicas, além de aprimorar suas habilidades analíticas, investir em uma pós-graduação é uma excelente opção.
A Pós-graduação em Hematologia Laboratorial e Clínica foi desenvolvida para profissionais que desejam se destacar no mercado, com um conteúdo atualizado e voltado para a prática. Oferecemos aulas 100% online e ao vivo, com flexibilidade para conciliar com sua rotina. Nosso corpo docente é formado por especialistas renomados, referências nas suas áreas de atuação, garantindo uma formação de excelência.
Com uma metodologia que integra teoria e prática, o curso proporciona uma imersão completa na rotina laboratorial, preparando você para ser uma referência no campo da hematologia.
No Instituto Nacional de Medicina Laboratorial, nosso compromisso é transformar você em um profissional altamente capacitado.
Toque no botão abaixo e conheça a pós-graduação em Hematologia Laboratorial e Clínica.
Referências
OLIVEIRA, Larissa Santana; ALCANTARA, Thiago Ruan de Lima. Atlas em hematologia: um guia visual para a identificação de células sanguíneas. 1. ed. Salvador: Oxente, 2025.