As microplaquetas são plaquetas de tamanho reduzido, com diâmetro inferior a 1 micrômetro, sendo significativamente menores que as plaquetas normais.
Embora a redução no tamanho das plaquetas seja menos comum que o aumento, ela pode impactar negativamente a função hemostática, o que aumenta o risco de sangramentos devido à diminuição na capacidade de adesão e agregação plaquetária. Esse achado pode ser observado em condições hematológicas específicas e requer, portanto, uma análise cuidadosa do hemograma para um diagnóstico adequado.

Imagem 1. Presença de microplaquetas em sangue periférico
Implicações Clínicas das Microplaquetas
A presença de microplaquetas no hemograma pode ser indicativa de várias condições clínicas. Uma das doenças mais associadas à presença de microplaquetas é a Síndrome de Wiskott-Aldrich (WAS), uma doença genética recessiva ligada ao cromossomo X.
Essa síndrome é caracterizada pela tríade clínica de trombocitopenia, eczema e imunodeficiência, resultando em infecções recorrentes e, sem tratamento adequado, a maioria das crianças afetadas evolui para óbito antes dos 10 anos, em grande parte devido a complicações hemorrágicas ou infecciosas.
Origem das Microplaquetas
De fato, a origem das microplaquetas na WAS está em uma mutação no gene WAS, responsável por regular a organização do citoesqueleto das plaquetas. Assim, essa mutação afeta a morfologia e funcionalidade das plaquetas, resultando em plaquetas menores e com capacidade reduzida para formar agregados, o que compromete a hemostasia. Além disso, pacientes com WAS têm um risco aumentado de desenvolver neoplasias hematológicas, como leucemias.
Demais Achados
Ademais, na mielofibrose, a alteração na medula óssea e o processo de fibrose podem levar o observador a identificar microplaquetas como um achado relevante. Dessa maneira, esse transtorno pode alterar a produção de plaquetas normais, levando à produção de plaquetas menores e com funcionalidade comprometida.
Da mesma forma, trombocitopatias também podem estar associadas à presença de microplaquetas, que têm uma função plaquetária inadequada devido a defeitos genéticos ou adquiridos na estrutura plaquetária.
Diagnóstico e Identificação no Hemograma
Por consequência, o observador pode facilmente confundir as microplaquetas com artefatos, como grânulos de corante ou outras substâncias presentes no esfregaço sanguíneo. Assim, uma forma auxiliar para a presença de microplaquetas, é o Volume Plaquetário Médio (VPM), um parâmetro que indica o tamanho médio das plaquetas. Logo, se o VPM estiver abaixo do limite mínimo, isso indica a presença de plaquetas menores.

Referências:
Atlas em Hematologia.
Reimão, P. (2020). Aspectos clínicos e laboratoriais das plaquetas. Journal of Hematology, 25(3), 45-50.
Kattamis, A., & Galani, M. (2019). Thrombocytopathies and their diagnostic approach in clinical hematology. Hematology Reports, 11(2), 23-29.