Corpos de Phi em Blastos 

Os corpos de Phi são inclusões citoplasmáticas frequentemente encontradas em blastos mieloides em casos de leucemia mieloide aguda (LMA). 

Sua presença e características são de extrema importância para o diagnóstico e classificação da leucemia, uma vez que desempenham um papel distintivo na diferenciação entre diversos tipos de leucemia e outras doenças hematológicas. Portanto, entender suas características pode ser crucial para médicos e especialistas no diagnóstico dessas condições.

O que são os Corpos de Phi?

Os corpos de Phi são inclusões citoplasmáticas esféricas ou ovaladas, observadas predominantemente nos blastos mieloides da leucemia mieloide aguda. Eles são compostos principalmente por microperoxissomos, que são grânulos citoplasmáticos ricos em catalase, uma enzima envolvida no metabolismo do peróxido de hidrogênio. 

A coloração de May-Grünwald-Giemsa (MGG), que é frequentemente usada para observar esfregaços sanguíneos, raramente revela esses corpos. No entanto, a técnica de citoquímica com peroxidase, utilizando o substrato 3,3’diaminobenzidina (DAB), aumenta significativamente a visibilidade dos corpos de Phi.

Imagem 1. Corpos de Phi

Formação e Origem

Dessa forma, os corpos de Phi têm sua origem nos microperoxissomos, organelas celulares que contêm catalase. Assim, os microperoxissomos são estruturas especializadas na degradação de peróxidos, especialmente o peróxido de hidrogênio, em várias células do corpo, incluindo as células mieloides.

Além disso, a catalase presente nesses microperoxissomos pode se acumular, formando os corpos de Phi, que se tornam visíveis quando os blastos mieloides estão ativamente proliferando, como ocorre na LMA. Essa acumulação é, portanto, um indicativo de que os blastos estão em um estágio avançado de divisão celular, o que é característico da leucemia mieloide aguda.

Diagnóstico e Diferença em Relação aos Bastonetes de Auer

Os corpos de Phi frequentemente confundem-se com bastonetes de Auer, uma característica encontrada nos blastos mieloides em leucemias. Contudo, a principal diferença entre eles está na origem e composição.

Enquanto os corpos de Phi derivam de grânulos contendo catalase, os bastonetes de Auer vêm de grânulos primários que contêm peroxidase, uma enzima envolvida na defesa contra microorganismos. Além disso, os bastonetes de Auer aparecem com mais frequência em leucemias mieloides agudas e outros tipos de leucemia.

Desse modo, a presença de corpos de Phi e bastonetes de Auer nas células mieloides pode ser um indicador importante no diagnóstico da LMA. Com efeito, a identificação de tais inclusões citoplasmáticas pode ajudar a diferenciar essa forma de leucemia de outras condições, como a leucemia linfoblástica aguda (LLA) ou leucemia mieloide crônica (LMC) em crise blástica.

Imagem 2. Blasto com bastonete de Auer

Relevância Clínica

A detecção de corpos de Phi é um achado importante no diagnóstico da leucemia mieloide aguda, principalmente em situações de grande proliferação de blastos mieloides. Eles podem atuar como um marcador citológico que complementa o exame morfológico dos blastos, contribuindo para a caracterização precisa da leucemia mieloide aguda.

Além disso, sua observação ajuda no entendimento da fisiopatologia da LMA, fornecendo informações sobre a função dos microperoxissomos e o metabolismo celular. Esse entendimento pode ser vital para a definição do tratamento mais adequado.

Conclusão

Embora os blastos mieloides frequentemente apresentem corpos de Phi, sua presença não é exclusiva da LMA. De fato, sua detecção pode também ocorrer em outras condições hematológicas que envolvem células mieloides. No entanto, sua maior frequência está associada à leucemia mieloide aguda, tornando-se um achado importante no diagnóstico diferencial. 

Referências:

Hoffman, R., et al. Hematology: Basic Principles and Practice. 7th ed. Philadelphia: Elsevier, 2017.

Koeffler, H. P., et al. “Morphologic and Cytochemical Features of Myeloblasts and Myelomonoblasts in Leukemia: A Review of the Diagnostic Relevance of Cellular Inclusions.” Blood, vol. 79, no. 1, 1992.

Vassallo, J. R., & Mody, K. R. “Cytochemical Markers in Leukemia: Diagnostic and Prognostic Value.” Journal of Clinical Pathology, vol. 55, no. 7, 2002.