Corpúsculos de Pappenheimer e Pontilhado Basófilo

Os corpúsculos de Pappenheimer e o pontilhado basófilo são achados morfológicos relevantes em várias doenças hematológicas.

Corpúsculos de Pappenheimer

Em primeiro lugar, depósitos de ferro formam os corpúsculos de Pappenheimer, que aparecem como inclusões nas hemácias em exames microscópicos.

Dessa forma, os profissionais observam normalmente pequenos pontos azuis ou violeta no interior das células vermelhas. Logo, os profissionais chamam essas inclusões de siderossomos quando as coram com azul da Prússia (uma coloração especial). Além disso, é importante destacar que esses corpúsculos geralmente aparecem em casos de:

  • Anemia sideroblástica, que envolve a produção inadequada de hemácias devido a defeitos no metabolismo do ferro.
  • Hemocromatose, por sua vez, distúrbio que leva ao acúmulo excessivo de ferro no corpo.
  • Anemia ferropriva (em estágios avançados).
  • Esferocitose hereditária, quando há uma alteração na membrana da célula vermelha.

Imagem 1. Corpúsculos de Pappenheimer

Como relatar Corpúsculos de Pappenheimer

A princípio, quando presentes no hemograma, a presença dos corpúsculos de Pappenheimer deve-se relatar da seguinte maneira:

“Presença de corpúsculos de Pappenheimer nas hemácias.”

Ou além disso, ainda de forma semiquantitativa:

Presença de corpúsculos de Pappenheimer em raras, algumas, ou em numerosas hemácias

Pontilhado Basófilo

Por outro lado, os especialistas identificam o pontilhado basofílico como pequenas inclusões que geralmente aparecem nas hemácias e adquirem coloração azulada com o uso da coloração hematológica de rotina.

Ademais, essas inclusões, na verdade, são depósitos de RNA residual ou ribossomos. Desse modo, o pontilhado basofílico observa-se em várias condições, tais como:

  • Intoxicação por chumbo, que é uma das causas mais comuns de pontilhado basofílico, isso porque, há a interferência do chumbo na síntese de hemoglobina.
  • Anemia regenerativa, quando há uma tentativa de compensação da medula óssea para aumentar a produção de hemácias.
  • Distúrbios do baço e doenças hematológicas, como as leucemias.

Imagem 2. Pontilhado Basófilo

Como relatar Pontilhado Basófilo

Da mesma forma, deve-se relatar da seguinte maneira:

“Presença de pontilhado basófilo”

“Presença de raros, alguns, ou numerosos pontilhados basófilos”

Importância dos Corpúsculos de Pappenheimer e Pontilhado Basófilo

Ambos os achados, portanto, têm relevância clínica significativa. De fato, os corpúsculos de Pappenheimer podem indicar disfunções no metabolismo do ferro, além de ajudar no diagnóstico de anemias sideroblásticas ou de sobrecarga de ferro.


Por outro lado, o pontilhado basófilo é um indicativo importante de condições tóxicas, como intoxicação por chumbo. Além disso, ele fornece pistas para diagnósticos de anemia regenerativa e alguns distúrbios hematológicos.

Conclusão: Pappenheimer e Pontilhado Basófilo

Em resumo, os profissionais devem relatar corretamente esses achados no laudo de hemograma, pois eles podem indicar doenças subjacentes graves e exigem investigações clínicas mais detalhadas.

Referências:

Bain, B. J. “Blood Cells: A Practical Guide”. 5ª edição, John Wiley & Sons, 2015. Este livro oferece uma visão detalhada sobre as inclusões celulares no esfregaço sanguíneo, incluindo o pontilhado basofílico e os corpúsculos de Pappenheimer.

Zago, M. A., et al. “Tratado de Hematologia”. Editora Atheneu, 2013. Esta obra clássica em hematologia aborda as diferentes alterações encontradas nas hemácias, incluindo os corpúsculos de Pappenheimer e o pontilhado basofílico, com foco em sua interpretação clínica.

Wallach, J. M. “Interpretation of Diagnostic Tests”. 10ª edição, Lippincott Williams & Wilkins, 2015. Este manual é amplamente utilizado na prática clínica para a interpretação de exames laboratoriais, incluindo esfregaços sanguíneos, e fornece orientações sobre como relatar alterações morfológicas nas hemácias.