Entre as diversas células observadas no hemograma, algumas podem ser classificadas como blastos equivalentes, o que pode indicar distúrbios graves, como leucemias.
Três dessas células, portanto, são o promonócito, o promielócito anômalo e o proeritroblasto, os quais desempenham um papel importante no diagnóstico de leucemias.
1. Promonócito: A Célula Imatura da Linha Monocítica
A princípio, o promonócito é uma célula imatura da linhagem monocítica e pode ser observada em condições hematológicas, como leucemias e distúrbios mieloides. Desse modo, na leucemia mielomonocítica aguda, o promonócito pode ser um dos principais blastos encontrados no hemograma.

Imagem 1.
Características do Promonócito no Hemograma
- Núcleo: dessa maneira, o núcleo do promonócito é geralmente grande, com cromatina fina e dispersa, e pode apresentar um ou dois nucléolos. Assim, a forma do núcleo é irregular e convoluto, o que é uma característica importante para a identificação da célula.
- Citoplasma: Desse modo, o citoplasma é levemente basofílico, com uma quantidade variável de grânulos azurófilos. Assim, esses grânulos são mais discretos do que os encontrados em células mais maduras da linhagem monocítica. Também podemos encontrar vacúolos, sendo este mais um achado marcante da série monocitoide.
- Tamanho: Ademais, o promonócito é significativamente maior que os leucócitos normais, com um diâmetro que pode variar entre 15 a 18 micrômetros.
Blastos equivalentes: Como Relatar o Promonócito no Hemograma
Devemos contar o promonócito no campo de blastos e, nas observações, escrever a quantidade total encontrada.
2. Promielócito Anômalo: A Alteração no Desenvolvimento da Linha Granulocítica
Ademais, o promielócito anômalo é uma célula imatura da linha mieloide que, quando presente em grande número no hemograma, pode, consequentemente, indicar distúrbios hematológicos, como a leucemia promielocítica aguda (LPA).

Imagem 2. Promielócitos anômalos hipogranulares

Imagem 3. Promielócitos anômalos hipergranulares. Na seta vermelha temos bastonetes de Auer
Características do Promielócito Anômalo no Hemograma
- Núcleo: É irregular, podendo apresentar formas de halteres, com cromatina fina e dispersa. O núcleo é frequentemente grande e pode apresentar nucléolos visíveis.
- Citoplasma: O citoplasma é basofílico, com presença de grânulos azurófilos (Na forma hipogranular não são vistos) leves ou granulação mais intensa do que em promielócitos normais.
- Tamanho: É geralmente maior que as células mieloides normais, com diâmetro de 16 a 20 micrômetros.
Blastos equivalentes: Como Relatar o Promielócito Anômalo no Hemograma
Primordialmente, são também contados no campo de blastos. E assim, escrever a porcentagem de promielócitos anômalos. Vale ressaltar a importância de descrever alterações no seu núcleo, como o formato de halteres, bem como a presença de grânulos em seu citoplasma.
3. Proeritroblasto: A Célula Imatura da Linha Eritroide
Pacientes com leucemia eritroide aguda (LEA), uma forma rara de leucemia, podem apresentar esse tipo de célula em maior número no hemograma. Nesse sentido, na LEA, o proeritroblasto se prolifera de forma descontrolada, afetando a produção de células eritroides.

Imagem 4. Proeritroblasto encontrado em sangue periférico
Características do Proeritroblasto no Hemograma
- Núcleo: O núcleo do proeritroblasto é grande e esférico, com cromatina fina e sem segmentação. Pode haver nucléolos evidentes, uma característica de células imaturas.
- Citoplasma: O citoplasma do proeritroblasto é basofílico, com uma coloração intensa. Alguns, caracteristicamente podem apresentar uma ou mais projeções arredondadas.
Tamanho: O proeritroblasto é maior que os eritrócitos normais, com tamanho entre 12 e 16 micrômetros.
Blastos equivalentes: Como Relatar o Proeritroblasto no Hemograma
Devemos contar os proeritroblastos como blastos equivalentes e, nas observações, escrever a porcentagem de proeritroblastos contados.

Referências:
Lippi, G., Favaloro, E. J., & Montagnana, M. (2012). “Influence of pre-analytical variables on coagulation and hematology testing.” Thrombosis Research, 129(6), 825-832.
Hoffman, R., et al. (2020). “Hematology: Basic Principles and Practice” (7th ed.). Elsevier.
Kitchen, S., & McCraw, A. (2010). “Diagnosis of Hemophilia and Other Bleeding Disorders: A Laboratory Manual.” World Federation of Hemophilia.