HIPOGRANULAÇÃO LEUCOCITÁRIA

A hipogranulação leucocitária é uma alteração morfológica observada principalmente em neutrófilos e bastonetes, e que também pode ocorrer em outros granulócitos. Essa característica pode estar associada a distúrbios hematológicos graves, como síndromes mielodisplásicas, ou surgir como consequência de fatores adquiridos. Sua identificação no laboratório é fundamental para um diagnóstico preciso e diferenciado.

Causas e condições associadas a hipogranulação:

Essa alteração pode estar presente em diferentes condições, incluindo:

  • Síndromes mielodisplásicas;
  • Leucemias mieloides agudas;
  • Uso de fatores estimuladores de colônias de granulócitos;
  • Deficiências na formação de grânulos específicos.

Neutrófilos hipogranulares em SMD.

Aspectos morfológicos e diagnóstico laboratorial:

No esfregaço sanguíneo, os neutrófilos hipogranulares apresentam citoplasma homogêneo e pálido. A análise é realizada por meio de:

  • Correlação com outros achados hematológicos, essencial para avaliar a gravidade e coerência da alteração;
  • Investigação complementar, como citometria de fluxo, para aprofundar a análise celular.

Implicações funcionais ocasionados pela hipogranulação:

A hipogranulação pode comprometer a resposta imunológica, reduzindo a capacidade destrutiva dos neutrófilos, tanto para agentes que podem ser fagocitados, ou com uso da degranulação (agentes não fagocitados), esta deficiência torna os pacientes mais suscetíveis a infecções. 

E qual a importância disso na prática? 

Identificar a hipogranulação leucocitária no laboratório ajuda a diferenciar doenças hematológicas e pode direcionar melhor a conduta clínica. Notar essa alteração cedo pode fazer a diferença no manejo do paciente, permitindo decisões mais assertivas.

Referências:

BAIN, Barbara J. Células Sanguíneas: Um Guia Prático. 4. ed. Porto Alegre: Artmed, 2007.

MELO, Márcio; SILVEIRA, Cristina Magalhães da. Laboratório de Hematologia: Teorias, Técnicas e Atlas. 1. ed. Rio de Janeiro: Rubio, 2015.

RACANELLI, Ana Paula et al. Alterações morfológicas no hemograma nas síndromes mielodisplá-fisicas: sua relação com os tipos OMS e as alterações encontradas na imunofenotipagem. J Health Sci Inst., São Paulo, v. 32, n. 1, p. 12-17, 2014.

SILVA, Paulo Henrique da et al. Hematologia Laboratorial: Teoria e Procedimentos. Porto Alegre: Artmed, 2016.