Giulio Bizzozzero descreveu as plaquetas, como fragmentos citoplasmáticos derivados dos megacariócitos, em 1882. A função delas na hemostasia são bem estabelecidas, apesar de serem anucleadas. Sua morfologia e funcionalidade são influenciadas pelas características do megacariócito e o tamanho normal varia entre 1,5 e 3 µm, tamanhos maiores classificam-se como macroplaquetas ou plaquetas gigantes.
As alterações no tamanho das plaquetas devem ser reportadas no hemograma, pois possuem correlações clínicas significativas.
Macroplaquetas e Plaquetas Gigantes. Fonte: Cellwiki
MACROPLAQUETAS:
Macroplaquetas são plaquetas aumentadas, mas elas não são tão grandes quanto as plaquetas gigantes. Seu tamanho geralmente varia entre 3 e 7 µm, e sua presença está associada a diversas condições, como infarto do miocárdio, septicemia, gravidez, diabetes mellitus, hipertireoidismo, tuberculose, leucemia mieloide crônica e talassemia heterozigota.
É preciso relatar essas macroplaquetas no hemograma quando ultrapassam 5% do total, pois indicam um aumento significativo no tamanho médio delas.
Sugestão de como relatar:
- Presença de macroplaquetas.
PLAQUETAS GIGANTES:
Equipamentos automatizados geralmente identificam facilmente as plaquetas gigantes, que apresentam tamanho superior ao das hemácias, variando entre 10 e 20 µm. Nessa condição, o VPM pode ultrapassar 20fL.
Essa alteração nas plaquetas pode estar presente em várias condições clínicas, como a síndrome de Bernard-Soulier, púrpura trombocitopênica idiopática (PTI), anomalia de May-Hegglin e doenças mieloproliferativas. Em casos de mielofibrose, observa-se frequentemente uma quantidade elevada de plaquetas gigantes.
É necessário reportar qualquer quantidade de plaquetas gigantes.
Sugestão de como relatar:
- Presença de plaquetas gigantes.
MACETE: A macroplaqueta é uma plaqueta grande, mas o seu tamanho é menor que o tamanho das hemácias. Já as plaquetas gigantes são maiores que as hemácias, levando em consideração o tamanho delas em condições normais.
É válido ressaltar que estudos demonstraram associação entre o aumento no tamanho das plaquetas à hiperatividade plaquetária e a uma maior capacidade de agregação, devido à presença de grânulos densos.
Outrossim, esse perfil de plaquetas grandes pode causar a elevação do volume plaquetário médio (VPM), favorece a agregação plaquetária e facilita a formação de trombos, sendo considerado um fator de risco significativo para o infarto do miocárdio (IM) e para a obstrução arterial coronariana.
Além disso, plaquetas extremamente grandes e agregados plaquetários não apenas apresentam valores elevados de VPM, mas também podem estar acompanhados de contagens plaquetárias diminuídas.

Referências:
FARIAS, Mariela Granero; DAL BÓ, Suzane. Importância clínica e laboratorial do volume plaquetário médio. Jornal brasileiro de patologia e medicina laboratorial, v. 46, p. 275-282, 2010.
DA SILVA, Paulo Henrique et al. Hematologia laboratorial: teoria e procedimentos. Artmed Editora, 2015.
DE MELO, Márcio Antonio Wanderley; DA SILVEIRA, Cristina Magalhães. Laboratório de Hematologia–teorias, técnicas e atlas. Editora Rubio, 2020.