As células harlequim são uma forma rara e notável de alteração celular observada na hematologia. Estas células se caracterizam pela presença de grânulos basofílicos no citoplasma de eosinófilos, além dos tradicionais grânulos alaranjados desta célula, este achado apesar de exuberante, caracteriza um achado displásico.
A presença dessas células pode ocorrer na leucemia mieloide aguda, assim como na variante eosinofílica LMA-M4, especialmente quando associada a anormalidades citogenéticas recorrentes, como a translocação CBFB-MYH11, inversão inv(16)(p13.1q22) ou translocação t(16;16)(q13.1;q22). Estas alterações citogenéticas são conhecidas por estarem associadas a subtipos específicos de LMA. Alguns escritos ainda citam que sua presença pode ocorrer na Leucemia Mieloide Crônica.
O aparecimento das células de harlequim no hemograma de pacientes com síndrome hipereosinofílica primária, em conjunto com sintomas apresentados pode ser um indicativo precoce de uma leucemia mieloide aguda (LMA) ou leucemia eosinofílica, sendo assim é importante observar e relatar esse tipo de anormalidade.
A aparência irregular dessas células e as possíveis alterações associadas destacam a importância da análise detalhada das células sanguíneas e da medula óssea. A identificação de células harlequim pode auxiliar no diagnóstico, prognóstico e tratamento de várias doenças hematológicas, localizadas ou sistêmicas.

Referências:
RODRIGUES, Júlia Morales; BIBERG, Camila. Significado clínico de “Harlequin cell” na síndrome hipereosinofílica primária: estudo de revisão. Revista Multidisciplinar em Saúde, 2021.
Vahedi A, Madani T, Gharib B, Poopak B. ‘Harlequin cells’ in lymphocyte-variant hypereosinophilia. EJHaem. 2022 PMID: 36467787
ASH PUBLICATIONS. Harlequin cells. Blood, v. 132, n. 7, p. 766, 2018. Disponível em: https://lnkd.in/dj9YgMJZ.