A sepse é uma resposta sistêmica caracterizada pela ativação excessiva de mediadores inflamatórios, que pode comprometer diversos órgãos e levar ao choque séptico. É comumente causada por bactérias, resultando em disfunção orgânica. As bactérias mais frequentemente isoladas em hemoculturas de pacientes com sepse incluem Staphylococcus aureus, Staphylococcus coagulase-negativos, Streptococcus viridans, Streptococcus pneumoniae, Enterococcus spp., Escherichia coli, Klebsiella pneumoniae, Pseudomonas aeruginosa, Enterobacter spp., Proteus spp., e Salmonella spp.
Fisiopatologia
A sepse geralmente começa com uma infecção localizada, que pode ocorrer em qualquer parte do corpo, como feridas abertas, cateteres intravenosos, infecções urinárias e pneumonia. As bactérias e outros agentes patológicos liberam toxinas que ativam o sistema imunológico, causando a liberação de mediadores inflamatórios. Esta resposta inflamatória exagerada pode causar danos aos tecidos e órgãos, resultando em disfunção orgânica. A hipotensão (pressão arterial baixa) é comum e pode evoluir para choque séptico, uma condição ainda mais grave. A produção e ativação aumentada de neutrófilos circulantes, pode resultar em lesões teciduais sérias, que podem levar à falência múltipla de órgãos.
Alterações Hematológicas
Os principais parâmetros hematológicos utilizados na avaliação de pacientes com sepse incluem leucocitose com elevação de granulócitos neutrófilos e desvio à esquerda (presença de células imaturas) , além de aumento da relação neutrófilo/linfócito.
A ativação de neutrófilos pode ser observada através de alterações morfológicas destas células no sangue periférico, como a presença de granulações tóxicas, vacuolização e corpos de Döhle. Essas alterações são indicativas de uma resposta inflamatória intensa e podem ser úteis no monitoramento e diagnóstico da.
As granulações tóxicas representam grânulos de maior tamanho e coloração azurófila, presentes no citoplasma dos neutrófilos, e refletem uma perturbação da maturação dos mesmos.
A sepse tem confirmação na presença de uma infecção suspeita ou confirmada, junto com sinais de resposta inflamatória sistêmica e disfunção orgânica. Exames laboratoriais como hemoculturas, contagem de leucócitos, níveis de lactato e exames de imagem podem ser utilizados para confirmar a infecção e avaliar a gravidade.
Em conclusão, a sepse é uma condição médica crítica que requer intervenção imediata para evitar complicações fatais. Compreender os sinais e sintomas, bem como as estratégias de diagnóstico e tratamento, é essencial para melhorar os resultados dos pacientes.

Referências
SALGADO, Danielle Nazaré S. et al. Importância da presença de granulações tóxicas para o diagnóstico hematológico de septicemia. Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia, v. 29, p. 373-377, 2007.
FARIAS, Lorenna Landim et al. Perfil clínico e laboratorial de pacientes com sepse, sepse grave e choque séptico admitidos em uma unidade de terapia intensiva. 2013.